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Aumento de casos de Covid nas Américas e na Europa preocupa às vésperas do Natal

A pandemia de Covid já causou mais de 1,5 milhão de mortes em todo o mundo. Na imagem, campanha pelo uso correto de máscaras em São Francisco, nos EUA
A pandemia de Covid já causou mais de 1,5 milhão de mortes em todo o mundo. Na imagem, campanha pelo uso correto de máscaras em São Francisco, nos EUA AP - Jeff Chiu
Texto por: Cristiane Capuchinho
6 min

A poucos dias do final do ano, o aumento de contaminações e de mortes por Covid-19 nas últimas semanas preocupa. Apesar de terem adotado medidas de restrição de deslocamento, países europeus como a França, a Alemanha, a Bélgica e Portugal não conseguem baixar suas taxas de contaminação. O número de mortes pela doença no mundo teve uma alta de 60% nas últimas seis semanas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que qualificou a situação de instável. A situação inspira atenção não apenas na Europa, mas também em países como Estados Unidos, Panamá e Brasil.

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Depois de mais de um mês de confinamento, a França não conseguiu reduzir como desejado as taxas de contaminação pelo coronavírus. Nos últimos 14 dias, o país registrou 230 novos casos por 100 mil habitantes, segundo dados do ECDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças da Europa) publicados nesta sexta-feira (11).

Com isso, o governo francês anunciou que o país passará o Réveillon sob toque de recolher e que salas de cinema, teatro e centros de esporte seguiriam fechados. Após conseguir controlar a pandemia e passar o verão com uma taxa de cerca de 50 casos por 100 mil habitantes, o governo francês teme que os encontros de final de ano levem o país a um terceiro lockdown.

O mesmo quadro se repete na Bélgica, que há duas semanas não melhora seus números de contaminação apesar de um lockdown parcial. O país tem um índice de 254 novos casos por 100 mil habitantes.

Na Alemanha, o recorde de novos casos batidos na quarta-feira (9) causou a indignação da chanceler Angela Merkel, que chamou de “inaceitável” as 590 mortes registradas e pediu aos deputados a aprovação de medidas mais restritivas no país.

Nas últimas duas semanas, a Alemanha registrou uma taxa de 320 casos por 100 mil habitantes.

O Reino Unido, que iniciou nesta semana a vacinação de sua população idosa e dos profissionais de saúde, mantém níveis altos de contaminação: 319,9 novos casos por 100 mil habitantes. Até meados de setembro, o índice era de 51.

Cenário pior é visto em países como a Dinamarca, que contabiliza 432 casos por 100 mil habitantes em duas semanas, a Itália, com 459, ou Portugal, com 533 novos casos, segundo o órgão europeu.

A Suécia, que passou pelos primeiros meses da pandemia sem adotar medidas de restrição de deslocamento, teve de fechar escolas, reduzir o horário de comércios e cogita endurecer ainda mais as regras neste mês. O país nórdico registrou 734 novos casos por 100 mil habitantes nas últimas duas semanas. Muito acima da taxa dos 116 casos de sua vizinha Finlândia, ou dos 98 novos na Noruega.

Mais mortes antes da vacinação em massa

A recente alta no número de mortes pela Covid-19 no mundo fez a OMS lançar um novo alerta durante sua coletiva de imprensa desta sexta-feira (11), em Genebra. A responsável pela gestão da pandemia no órgão, Maria Van Kerkhove, lembrou que mesmo com o horizonte de vacinação, o vírus continua em circulação.

Segundo ela, os continentes europeu e americano foram as regiões com maior percentual de aumento de mortes nas últimas seis semanas.

Nos Estados Unidos, nas últimas 24 horas, 2.748 americanos morreram de Covid, agravando o saldo de mais de 292 mil mortes ao longo da pandemia. O índice de contaminação no país é de 830 novos casos por 100 mil habitantes, quatro vezes a taxa que era contabilizada no mês de agosto.

Após uma desastrosa gestão de crise sanitária de Donald Trump, o presidente eleito Joe Biden promete impor o uso de máscaras e criar um grande programa de vacinação no país a partir do final de janeiro, quando assume o poder.

Se os números são mais altos em países que passam pelas estações mais frias do ano, pois a população fica em locais fechados, regiões da América Central e da América do Sul também tiveram piora importante nos últimos tempos.

Mapa do ECDC mostra o índice de novos casos registrados em 14 dias por 100 mil habitantes em todo o mundo
Mapa do ECDC mostra o índice de novos casos registrados em 14 dias por 100 mil habitantes em todo o mundo © Divulgação/ECDC

No Panamá, o índice de novas contaminações é de 592 por 100 mil habitantes em duas semanas. Mais ao sul, a Colômbia voltou a ter uma alta no contágio e registra 237 casos por 100 mil habitantes.

Segundo país com maior número de mortes pela doença no mundo, o Brasil teve alta de contágios. Nas últimas duas semanas, registrou 273 novos casos por 100 mil habitantes. O índice não está longe do momento mais crítico no país, em agosto, quando eram contados 304 novos casos por 100 mil habitantes. Em novembro, quando teve seu índice mais baixo, a taxa era de 120 casos.

Ao total, mais de 179 mil brasileiros perderam sua vida pela doença, 770 delas nas últimas 24 horas.

Final de ano sob alerta

Diante da situação, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, pediu que a população mundial reconsidere seus planos de final de ano “cuidadosamente”.

“Se você mora em uma área com alta transmissão, tome todas as precauções para manter a si mesmo e a outras pessoas seguras. Este pode ser o melhor presente que você pode dar: o presente da saúde, da vida, do amor, da alegria e da esperança”, completou.

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