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Investigação identifica agentes russos que teriam espionado opositor Alexei Navalny

O principal opositor do regime russo, Alexei Navalny, durante uma manifestação para pedir a liberação de opositores presos, em Moscou, na Rússia, em 29 de setembro de 2019.
O principal opositor do regime russo, Alexei Navalny, durante uma manifestação para pedir a liberação de opositores presos, em Moscou, na Rússia, em 29 de setembro de 2019. REUTERS - Shamil Zhumatov
Texto por: RFI
4 min

O site independente Bellingcat publicou nesta segunda-feira (14), conjuntamente com a rede de televisão americana CNN e a revista alemã Der Spiegel, uma investigação que acusa especialistas em armas químicas dos serviços especiais russos, a FSB, de terem espionado o opositor russo Alexei Navalny, inclusive no dia de seu envenenamento.

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A Rússia desmentiu diversas vezes que Navalny foi envenenado em Tomsk, em 20 de agosto, e afirmou que a substância tóxica do tipo Novitchok, detectada por laboratórios ocidentais após sua hospitalização na Alemanha, não estava presente em seu organismo quando o opositor foi tratado na Rússia.

Bellingcat publicou nomes e fotos dos especialistas que, segundo o site, trabalham com a substância química utilizada no envenenamento de Navalny. Os agentes seguiam regularmente o opositor desde 2017, segundo a publicação, que analisou uma grande quantidade de informações, provenientes de vazamentos na Internet russa, sobretudo telefônicas e de viagens.

“Os agentes estavam nas proximidades do militante da oposição nas horas e dias do período em que ele foi envenenado por uma arma química militar”, afirma Bellingcat, que detectou 37 viagens desde 2017, durante as quais Navalny foi espionado.

O site acredita que o Estado russo agora deve provar sua inocência e precisou que o Kremlin não comentou as acusações. Segundo a CNN, a presidência russa se recusou a comentar a investigação e o Serviço federal de segurança russo (FSB) não respondeu ao pedido do canal de tevê.

O artigo, no entanto, não estabelece nenhum contato direto entre os agentes e o opositor, nem prova que uma ordem para o envenenamento foi dada.

“Eu sei quem quis me matar, sei onde vivem, sei onde trabalham, conheço seus verdadeiros nomes, conheço seus apelidos e tenho suas fotos”, comentou Navalny sobre a investigação da mídia, em seu blog.

Nos últimos anos, Bellingcat identificou várias vezes, de acordo com informações coletadas on line, agentes suspeitos de estarem envolvidos em operações dos serviços especiais russos. Entre elas, o site publicou os nomes dos agentes da Inteligência militar russa que seriam responsáveis pelo envenenamento de um ex-agente duplo, Serguei Skripal, na Inglaterra. As acusações que foram negadas por Moscou.

Investigação sem fundamento

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que não via nenhum fundamento para a abertura de uma investigação sobre o envenenamento de Navalny. "Se uma pessoa esteve prestes a morrer, isso não significa que é necessário abrir uma investigação criminal toda vez", disse Putin na quinta-feira (10) em uma reunião do Conselho Consultivo para os Direitos Humanos do Kremlin, cujas declarações foram publicadas na sexta-feira (11).

No final de agosto, o principal opositor russo ficou gravemente doente durante um voo para a Sibéria. Entrou em coma. Depois de dois dias internado e após pressão de seus familiares, recebeu autorização para ser tratado na Alemanha.

De acordo com três laboratórios europeus, cujas conclusões foram confirmadas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), Navalny foi envenenado por um agente neurotóxico do grupo Novitchok, uma substância criada por especialistas soviéticos com finalidades militares.

O opositor, que ainda está na Alemanha, acusou Putin diretamente de estar por trás do envenenamento. "O procurador-geral russo pediu várias vezes aos seus colegas (da Europa) que enviem pelo menos uma conclusão oficial por escrito" sobre os exames médicos de Navalny, disse Putin, cujo país acusa os europeus de se negarem a cooperar neste caso.

O governo de Putin alega que o caso corresponde a um complô ocidental para prejudicar a Rússia.

 

 

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