Portugal reabre hospitais de campanha para receber pacientes com Covid-19

Os profissionais de saúde tornaram-se agentes de primeira linha no combate ao vírus em Portugal.
Os profissionais de saúde tornaram-se agentes de primeira linha no combate ao vírus em Portugal. © Magda Rodrigues
4 min

Portugal registrou mais 15.333 novos casos de infecção com o novo coronavírus e 274 mortes relacionadas com a Covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado neste sábado (23). Este é maior número de óbitos em 24 horas desde o início da epidemia e representa um novo recorde diário de contaminações.

Publicidade

Enviada especial a Lisboa

Atualmente, Portugal é o país com o maior número de mortes pela Covid-19 por milhão de habitantes. A Ordem dos Enfermeiros de Portugal lançou a campanha "Fique em casa", para sensibilizar os portugueses a evitar qualquer exposição ao risco. A variante britânica do vírus, mais contagiosa, continua atuando como fator de aceleração da epidemia. Apesar do lockdown decretado há uma semana, as infecções não recuam. A taxa de positividade nos testes chegou a 20% contra 9% no Natal.

Os profissionais da saúde estão exaustos e há dificuldades para recrutar reforços. Para dar uma ideia da sobrecarga de trabalho, há cinco enfermeiros para uma centena de pacientes em nível nacional.

Na sexta-feira, havia 5.922 pessoas internadas nas enfermarias de Covid-19 e 720 em cuidados intensivos. Em Porto, 100% dos leitos da rede pública estavam ocupados. Em Viseu, segunda maior cidade do centro do país, a capacidade de acolhimento chegou ao limite máximo. Durante a primeira onda, o maior hospital da cidade acolheu pouco mais de uma centena de pacientes com a Covid-19; agora trata 500.

Filas de ambulâncias

As regiões de Lisboa e do Vale do Tejo são as mais afetadas pela terceira onda. As autoridades portuguesas começaram a reabrir hospitais de campanha e de retaguarda, além de solicitar ajuda do setor privado e social.

O hospital de campanha da Universidade de Lisboa, aberto em meados do ano passado, foi reativado neste fim de semana. Dezenove médicos e 20 enfermeiros trabalham no local, que tem capacidade para acolher 58 pacientes que apresentem um quadro clínico estável. A estrutura conta com aparelhos de ventilação e equipamentos de reanimação. Um segundo hospital de campanha, com capacidade para 100 leitos, será aberto em duas semanas. No total, os hospitais de campanha e unidades de retaguarda, montadas às vezes em ginásios esportivos, poderão acolher 2.300 doentes.

As projeções indicam que no fim da próxima semana, 80% dos leitos do país estarão ocupados para tratamento da Covid-19. Os hospitais da rede pública já não atendem há vários dias pacientes com outras patologias, apenas em situações excepcionais. A epidemia está fora de controle, e os canais de TV exibem continuamente as imagens de dezenas de ambulâncias formando longas filas nas entradas dos prontos-socorros, principalmente na região de Lisboa.  

Portugal contabiliza no total 624.469 casos confirmados da doença e 10.194 mortes desde o início da pandemia. A maioria das vítimas tem mais de 70 anos de idade.

Apesar desse quadro sanitário dramático, os portugueses vão às urnas neste domingo (24) no primeiro turno das eleições presidenciais. A Comissão Nacional Eleitoral diz ter tomado medidas adicionais para garantir a segurança da votação.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.