China desmantela rede de vacinas falsas contra Covid-19 que atuava há cinco meses

A China investe muito na produção de imunizantes contra a Covid-19. Por enquanto, apenas uma vacina, a desenvolvida pelo laboratório Sinopharm, foi oficialmente aprovada no país.
A China investe muito na produção de imunizantes contra a Covid-19. Por enquanto, apenas uma vacina, a desenvolvida pelo laboratório Sinopharm, foi oficialmente aprovada no país. AP - Mark Schiefelbein

Mais de 80 suspeitos foram presos e cerca de 3.000 seringas contendo água salgada foram apreendidas na operação da polícia chinesa contra uma rede de traficantes de vacinas falsas anti-Covid-19, noticiou a imprensa nesta terça-feira (2).

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A polícia chinesa também destruiu laboratórios de falsificação e cortou cadeias comerciais, desmantelando a rede de falsificação. O tráfico acontecia desde setembro em Pequim e em duas províncias do leste do país, Shandong e Jiangsu, segundo a agência oficial de notícias Xinhua. O orgão não especificou quantas vacinas falsas foram vendidas, ou administradas, informando apenas que as doses falsas foram vendidas a "um preço alto".

O jornal chinês em inglês Global Times estima que as vacinas, cheias de água salgada, eram inofensivas e não causaram vítimas, mas os "imunizados" não tinham proteção alguma contra o coronavírus. O diário indica que os falsificadores "possivelmente pretendiam vender os produtos no exterior". Esse tráfico internacional preocupa os serviços aduaneiros mundiais que desde o ano passado já se prepararam para impedir a entrada de produtos falsos no mercado de seus países e garantir a segurança de quem vai ser vacinado.

"Bem público mundial"

A China, país onde a Covid-19 apareceu pela primeira vez no final de 2019, investiu muito dinheiro e energia na produção de imunizantes e prometeu torná-los "um bem público global". Por enquanto, as autoridades sanitárias chinesas aprovaram apenas uma vacina, no final de dezembro, desenvolvida pelo laboratório Sinopharm.

Pequim começou a vacinar a população no verão passado no Hemisfério Norte (inverno no Brasil). Milhares de pessoas consideradas "em situação de risco", incluindo diplomatas e estudantes que iriam viajar ao exterior, foram imunizadas. Até 26 de janeiro, quase 23 milhões de doses foram administradas na China, segundo o Ministério da Saúde. O país tem 1,4 bilhão de habitantes.

Com a proximidade do Ano Novo Chinês, celebrado em 12 de fevereiro, as autoridades querem acelerar a imunização e fazer uma campanha de vacinação em massa. Tradicionalmente, centenas de milhões de chineses viajam nesse período de festas para visitar familiares e o país teme um aumento das contaminações.

Desde o início da pandemia, milhares de pessoas foram processadas na China por diversos crimes, que vão desde "espalhar boatos", dissimular contágio, ou se recusar a cumprir medidas preventivas. A China afirma que quase erradicou a doença em seu território, embora tenham surgido alguns surtos epidêmicos limitados no mês passado.

(Com informações da AFP)

 

 

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