Covid-19: Chineses tentam festejar início do Ano do Boi, apesar das restrições para viajar

Ruas decoradas em Pequim para o Ano Novo chinês, que este ano é celebrado em clima de pandemia, com as autoridades pedindo que a população não deixe suas cidades.
Ruas decoradas em Pequim para o Ano Novo chinês, que este ano é celebrado em clima de pandemia, com as autoridades pedindo que a população não deixe suas cidades. AP - Andy Wong
Texto por: RFI
3 min

O Ano Novo lunar, que começa neste 12 de fevereiro, é o feriado mais importante da China e é visto como o momento em que acontece a maior migração do mundo. Normalmente, milhões de trabalhadores aproveitam a oportunidade para retornar às suas províncias de origem. Mas desta vez, a pandemia de Covid-19 e as restrições impostas pelas autoridades fizeram com que muitos mudassem seus planos.

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Com o coronavírus quase erradicado no país, apesar de alguns focos localizados em dezembro-janeiro, principalmente em Pequim, muitos esperavam comemorar o ano novo normalmente. Mas, por precaução, a prefeitura da capital convocou os moradores a evitar qualquer viagem "desnecessária" para fora da cidade no feriado. Para desencorajar os chineses, as autoridades usam incentivos financeiros para quem fica e exigências de exames e formalidades para quem deixa suas cidades.

"Para viajar, preciso fazer um teste de PCR e obter um certificado. Não é prático", explica Hou Sibai, um entregador de comida de Gansu (noroeste), que trabalha em Pequim.

Ele finalmente vai passar o feriado na capital com sua esposa e filha, celebrando modestamente no quarto de um apartamento compartilhado no norte de Pequim, onde vive com sua família. "O ambiente não é tão animado como na minha aldeia, mas com certeza vamos cozinhar uma boa refeição para nós três!"

Para incentivar pessoas como Hou Sibai a ficar em casa, Pequim prometeu aos que não viajam um envelope total de 40 milhões de yuans (mais de R$ 33 milhões) em cupons de descontos – para serem usados em aplicativos de comércio eletrônico.

Na cidade de Hangzhou, no leste do país, onde estão instaladas algumas das principais empresas na área de tecnologia, a prefeitura ofereceu 1.000 yuans (mais de R$ 800) para os moradores que desistiram de viajar. Já em Yiwu (Est), conhecida como ponto de partida de mercadorias para exportação, os moradores receberam cupons de compras e acessos a atividades gratuitas para seus filhos.

Algumas plataformas de vídeo online também liberaram o acesso a parte de seus catálogos para tentam manter as pessoas em casa, enquanto as principais operadoras de telefonia celular oferecerem pacote especiais a seus assinantes durante o período das festas.  

Segundo uma pesquisa de opinião divulgada na semana passada, 85% das pessoas consultadas disseram que não pretendiam viajar para celebrar o Ano Novo chinês.

(Com informações da AFP)

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