Depois de bloqueio de Israel, Gaza recebe primeiro lote de vacinas doadas pela Rússia

Palestino abre uma das primeiras caixas com a vacina russa Sputnik V contra a Covid-19, nesta quarta-feira, em Gaza.
Palestino abre uma das primeiras caixas com a vacina russa Sputnik V contra a Covid-19, nesta quarta-feira, em Gaza. Mahmud Hams AFP

Um primeiro lote de vacinas contra o coronavírus doadas pela Rússia chegou nesta quarta-feira (17) à Faixa de Gaza. No início da semana, Israel havia bloqueado a entrega do imunizante ao território palestino governado pelo movimento radical islâmico Hamas. Gaza conta uma população de mais de 2 milhões de habitantes, concentrados em uma área de 365 quilômetros quadrados.

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Em comunicado, líderes do Hamas informaram que "duas mil doses da vacina russa Sputnik V chegaram [em Gaza], procedentes do Ministério da Saúde em Ramallah", na Cisjordânia. O produto foi encaminhado para locais de estocagem e poderá imunizar mil pessoas contra a Covid-19. A vacina russa também é administrada em duas doses, como a maioria dos imunizantes desenvolvidos até agora contra o novo coronavírus.

O Cogat, órgão israelense encarregado das operações civis nos territórios palestinos, cuja autorização é imprescindível para a liberação de produtos, confirmaram a entrega.

Profissionais da saúde serão vacinados com prioridade nesta primeira etapa da campanha, de acordo com as orientações do Ministério da Saúde palestino.

Na segunda-feira (15), a Autoridade Palestina, com sede em Ramallah, na Cisjordânia, havia acusado Israel de impedir a entrada das vacinas em Gaza. O Cogat respondeu que o pedido palestino estava "em estudo e que esperava uma decisão política".

O Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007, denunciou "violação" do direito internacional.

Desde o início da pandemia, mais de 53.700 casos de Covid-19 e 538 mortes foram registrados em Gaza. Atualmente, as autoridades sanitárias consideram que as infecções estão em queda. Na Cisjordânia, o Ministério da Saúde registrou mais de 115.700 casos de contágio e 1.400 óbitos.

 A Autoridade Palestina, sob liderança do Fatah, começou a vacinação dos profissionais de saúde da Cisjordânia neste mês de fevereiro, após receber 2.000 doses de Israel. Esse território palestino que também vive sob ocupação militar recebeu 10.000 doses da Sputnik V e tem a intenção de compartilhá-las com Gaza. Nos próximos dias, os palestinos também receberão 50 mil doses, distribuídas por meio do mecanismo Covax, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que países com menos recursos também possam receber vacinas contra a Covid-19.

Israel já vacinou 45% de sua população

Privar os palestinos de vacina vai na contramão da estratégia adotada pelo governo israelense para seus cidadãos. Com mais de 4 milhões de pessoas imunizadas, o equivalente a 45% da população, Israel é campeão do mundo na vacinação contra o coronavírus, proporcionalmente à sua população. Mas na Palestina, a situação é completamente diferente, com apenas 12.000 doses até agora.

Em meados de janeiro, sob pressão internacional, Israel anunciou que os prisioneiros palestinos seriam vacinados pelo estado hebreu.

(Com informações da AFP)

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