Irã volta a pedir aos EUA fim de sanções impostas por Trump

Chanceler iraniano  Mohammad Javad Zarif durante um encontro com o chefe da diplomacia russa Sergei Lavrov em Moscou, em 26 de janeiro de 2021.
Chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif durante um encontro com o chefe da diplomacia russa Sergei Lavrov em Moscou, em 26 de janeiro de 2021. via REUTERS - RUSSIAN FOREIGN MINISTRY
Texto por: RFI
4 min

O governo iraniano pediu novamente aos Estados Unidos nesta sexta-feira (19) a retirada de todas as sanções impostas pelo ex-presidente Donald Trump, após uma proposta de negociações da parte da administração de Joe Biden.

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Teerã "anulará imediatamente" suas medidas de represália se Washington "retirar sem condições todas as sanções impostas, reimpostas ou rebatizadas por Trump", tuitou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif.

Ele enfatizou que o Irã concordou com a decisão do governo Biden de reverter a alegação amplamente desacreditada de seu predecessor de que a ONU havia imposto novas sanções relacionadas ao programa nuclear de Teerã.

Os Estados Unidos fizeram gestos em direção ao Irã, tendo como pano de fundo o desejo de relançar o acordo nuclear de 2015 e depois de um alerta em conjunto com os europeus em direção a Teerã contra uma decisão "perigosa" de limitar as inspeções internacionais em instalações nucleares.

As declarações de Zarif vêm no dia seguinte a uma reunião virtual de chanceleres da França, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, no final da qual Washington anunciou que havia aceitado um convite da União Europeia para conversas com Teerã a fim de reativar o acordo de 2015 minado por Donald Trump .

Essas discussões reunirão os países que assinaram o acordo em 2015 (Irã, Estados Unidos, Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia) e permitirão "discutir a melhor forma de avançar no que diz respeito ao programa nuclear iraniano", segundo o Departamento de Estado dos EUA.

Um pouco antes, os ministros franceses Jean-Yves Le Drian, o alemão Heiko Maas, o britânico Dominic Raab e o americano Antony Blinken haviam declarado em comunicado, após videoconferência, o objetivo de "ver o Irã voltar ao pleno respeito aos seus compromissos" previsto em 2015, com o objetivo de “preservar o regime de não proliferação nuclear e garantir que o Irã jamais adquirá uma arma nuclear”.

O governo de Joe Biden também rescindiu uma proclamação unilateral de setembro de Donald Trump sobre o retorno às sanções internacionais contra o Irã, em uma carta ao Conselho de Segurança da ONU.

Depois que os Estados Unidos se retiraram do acordo em 2018, essa proclamação foi considerada ineficaz no final de 2020 por todos os outros membros do Conselho de Segurança, que tem 15 países, sendo cinco membros permanentes (Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Rússia).

Mais flexibilidade para diplomatas

O Departamento de Estado finalmente anunciou a flexibilização das restrições de viagem em Nova York para diplomatas iranianos à ONU, impostas pelo governo Trump. Em particular, eles exigiam que os diplomatas iranianos ficassem confinados a algumas ruas ao redor da sede da ONU.

Assim, o Irã voltará a uma situação anterior, também imposta a Cuba e à Coreia do Norte, permitindo que seus diplomatas circulem livremente em Nova York e arredores.

A reunião EUA- União Europeia e as ações de Washington ocorrem no momento em que o Irã planeja restringir o acesso de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a instalações não nucleares, incluindo a partir de domingo, locais militares suspeitos de atividade nuclear.

Teerã ameaçou romper com os novos compromissos assumidos no acordo de 2015, a menos que os Estados Unidos retirassem as sanções unilaterais impostas desde 2018 que estão estrangulando a economia iraniana.

A Europa e os Estados Unidos apelaram a Teerã para que avalie "as consequências de uma medida tão séria, em particular neste momento de oportunidade para um regresso à diplomacia".

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, deve estar no Irã no sábado para "encontrar uma solução mutuamente aceitável", segundo a organização sediada em Viena.

Desde que Joe Biden chegou ao poder, os Estados Unidos e o Irã têm passado a bola um para o outro na questão de quem deve dar o primeiro passo para reativar o acordo.

 

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