Mianmar: ativistas pró-militares atacam residentes na maior cidade do país

Manifestantes a favor dos militares marcharam na quinta-feira, 25 de fevereiro, em Yangon.
Manifestantes a favor dos militares marcharam na quinta-feira, 25 de fevereiro, em Yangon. REUTERS - STRINGER

A raiva do povo birmanês contra os generais na origem do golpe de 1º de fevereiro não diminui. Todos os dias, centenas de milhares de manifestantes continuam a sair às ruas para exigir o retorno da democracia. Mas, nesta quinta-feira (25), ativistas pró-militares que marchavam pelas ruas de Yangon, a maior cidade de Mianmar, atacaram residentes com violência. O Facebook mandou fechar todas as contas liagadas ao Exército birmanês.

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Centenas de apoiadores pró-militares - carregando cartazes nos quais estava escrito: "Nós apoiamos nossas forças de defesa" - marcharam pelo centro de Yangon. As autoridades birmanesas lhes deram acesso ao icônico Pagode Sule, uma encruzilhada importante que nos últimos dias foi barricada para impedir que manifestantes anti-golpe se reunissem lá.

Canos e estilingues contra panelaço dos moradores

Para protestar contra a manifestação pró-militar, os moradores começaram a bater em panelas e frigideiras, um ato que se tornou um símbolo de resistência anti-junta militar.

Os confrontos eclodiram em torno da Estação Central de Yangon. Pró-militares, alguns dos quais armados com canos, facas e estilingues, se voltaram contra os moradores locais que gritavam para eles.

De acordo com depoimentos coletados pela agência AFP, alguns moradores ficaram feridos na cabeça por disparos de estilingue. Mas os habitantes, mais numerosos, pararam alguns manifestantes que estavam equipados com cassetetes e facas.

Imagens de câmeras de vigilância que circulam nas redes sociais mostram um homem armado com uma faca perseguindo moradores no centro da cidade.

Facebook fecha todas as contas do Exército birmanês

O Facebook, por sua vez, fechou todas as contas vinculadas ao exército birmanês que permaneceram ativas por incitar "violência mortal" contra manifestantes pró-democracia. A decisão se aplica aos militares e entidades controladas pelas forças armadas no Facebook e Instagram, e também proíbe toda a publicidade neste sentido.

"Os eventos desde o golpe de 1º de fevereiro, incluindo violência mortal, precipitaram a necessidade dessa proibição", disse o Facebook em um comunicado.

As páginas das instituições governamentais, agora administradas pela junta, não são afetadas. "Esta proibição não cobre departamentos e agências governamentais engajados na prestação de serviços públicos essenciais", disse o comunicado do Facebook.

O anúncio desta quinta-feira segue a decisão do Facebook no último fim de semana de banir o True News, a página principal mantida pelo serviço de notícias do regime.

Os militares usaram o Facebook extensivamente para espalhar suas acusações de fraude eleitoral na eleição de novembro, que foi vencida com folga pelo partido de Aung San Suu Kyi. Nos últimos anos, o gigante da mídia social baniu centenas de páginas relacionadas a militares, mas continuou amplamente criticado por ser ineficaz no combate a postagenscom fake news no país.

(Com informações da AFP)

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