Base militar no Iraque é alvo de foguetes às vésperas de visita do Papa

A visita do papa Francisco será a primeira de um soberano pontífice ao Iraque.
A visita do papa Francisco será a primeira de um soberano pontífice ao Iraque. AHMAD AL-RUBAYE AFP/Archivos

Pelo menos dez foguetes caíram na manhã desta quarta-feira (3) em uma base que abriga tropas americanas no oeste do Iraque, dois dias antes da visita histórica do Papa Francisco ao país. As autoridades confirmam a morte de um civil no ataque.

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Esta nova ofensiva acontece após vários outros ataques com as mesmas características, ocorridos nas últimas duas semanas. A situação preocupa e aponta as dificuldades logísticas da primeira visita de um pontífice ao Iraque. Mesmo assim, o papa Francisco confirmou que manterá sua viagem, apesar dos disparos de foguetes.

Contudo, além das restrições sanitárias na tentativa de conter uma segunda onda de Covid-19 no país, as tensões entre os dois países que operam no Iraque,  o Irã e os Estados Unidos (EUA), representam um obstáculo adicional para o sucesso da visita papal.

De acordo com fontes de segurança iraquianas e ocidentais, dos dez foguetes disparados contra a base aérea de Ain al-Assad, vários caíram dentro da seção onde estão os soldados americanos da coalizão anti-jihadista internacional. "As forças de segurança iraquianas estão conduzindo a investigação", disse o coronel Wayne Marotto, porta-voz dos EUA na coalizão, pelo Twitter. Washington costuma apontar facções armadas pró-Irã como autores desses ataques.

Foguetes "fabricados no Irã"

O comando militar iraquiano especificou que os dez foguetes disparados eram do tipo "Grad". Mais precisamente do tipo "Arash", de fabricação iraniana e mais imponente do que os foguetes usados ​​até recentemente, detalharam fontes de segurança ocidentais à AFP.

Inimigos jurados, a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos têm presença ou aliados no Iraque. À frente do grupo de coalizão de combate ao Estado Islâmico (EI), os Estados Unidos destacaram cerca de 2.500 soldados para o país. Já o Irã conta, entre outros, com o apoio de Hachd al-Chaabi, uma poderosa coalizão de paramilitares integrada ao Estado iraquiano e composta, principalmente, de facções financiadas e armadas pelo Irã.

Após um período relativamente calmo, com o anúncio de uma trégua dos militantes pró-Irã frente às ameaças dos Estados Unidos de retirarem todos os seus soldados e diplomatas do país, o Iraque testemunha agora uma nova escalada de violência.

Outros ataques

Em fevereiro, foguetes caíram perto da embaixada dos Estados Unidos, em Bagdá. Outros explosivos visaram a base aérea iraquiana de Balad, localizada mais ao norte, ferindo um funcionário iraquiano de uma empresa americana responsável pela manutenção dos jatos F-16.

Os foguetes também atingiram uma base militar que abrigava a coalizão internacional no aeroporto de Erbil, capital do Curdistão iraquiano, local considerado como um refúgio de paz em meio a um Oriente Médio dilacerado pela guerra. Duas pessoas morreram nesse ataque. 

Lockdown durante visita do Papa    

O Papa Francisco é esperado nesta sexta-feira (5) em Bagdá e domingo (7) em Erbil, onde vai celebrar uma missa em um estádio aberto aos fiéis.

Devido à frágil estabilidade da segurança no país e à pandemia de Covid-19, o soberano pontífice argentino não poderá dar caminhadas, como costuma fazer. Além disso, para evitar incidentes maiores, um lockdown nacional será decretado durante a visita papal, de sexta-feira a segunda-feira (8).

(Com informações da AFP)

 

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