No Iraque, papa Francisco defende minoria yazidi e pede que "calem as armas"

“Chega de violência, extremismo, intolerância”, disse Francisco diante de líderes políticos logo após seu desembarque em Bagdá.
“Chega de violência, extremismo, intolerância”, disse Francisco diante de líderes políticos logo após seu desembarque em Bagdá. AP - Andrew Medichini

O papa Francisco fez um discurso contra a violência ao desembarcar em Bagdá, nesta sexta-feira (5). O sumo pontífice, que faz a primeira viagem de um chefe do Vaticano ao Iraque, denunciou a perseguição da minoria yazidi, criticou a corrupção e pediu mais paz e tolerância no país.

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“Chega de violência, de extremismo e de intolerância”, disse Francisco em seu discurso diante de líderes políticos logo após seu desembarque na capital iraquiana. “Que se calem as armas!”, declarou o chefe da Igreja Católica, que chegou ao país sob um forte esquema de segurança, dois dias após um atentado visando uma base militar.

O papa também dedicou parte de seu discurso à defesa das minorias étnicas e religiosas, em um país de maioria muçulmana. Francisco disse que “ninguém deve ser considerado um cidadão de segunda classe", sejam cristãos, que representam 1% da população do Iraque, ou yazidis. Além de marginalizada, a minoria é perseguida pelo grupo Estado Islâmico, que transformou milhares de mulheres do grupo em escravas sexuais.

"Não posso deixar de me lembrar dos yazidis, vítimas inocentes de atrocidades sem sentido e desumanas, perseguidos por causa de sua prática religiosa, cuja identidade e sobrevivência foram ameaçadas", insistiu Francisco.

Como esperado, o papa ressaltou a “presença muito antiga dos cristãos nessa terra” e pediu aos membros da igreja católica que “participassem da vida pública como cidadãos, gozando de plenos direitos, liberdade e responsabilidade”.

Corrupção

O papa também defendeu em seu primeiro discurso a "luta contra a corrupção" e os abusos de poder. "É preciso construir justiça, fazer crescer a honestidade, a transparência e fortalecer as instituições", disse, diante dos líderes políticos do país, um dos mais corruptos do mundo e dilacerado há 40 anos pela violência.

O início da viagem também foi marcado por uma visita à catedral de Bagdá, destruída em 2010 por um atentado que deixou 53 mortos. “Agradeço os bispos e padres que permaneceram próximos do povo, os apoiando”, disse Francisco dentro do templo.

A comunidade cristã do Iraque passou de quase 1,5 milhão em 2003 para menos de 400 mil atualmente. Mas, segundo o representante do Vaticano, apesar de pequena, a comunidade deve continuar “enriquecendo o avanço do país”. Esta é a primeira viagem ao exterior do pontífice, desde o início da pandemia de Covid-19. Ele está imunizado, depois de receber a primeira dose da vacina da Pfizer em janeiro e a segunda, em fevereiro.

(Com informações da AFP)

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