“Êxodo de cristãos do Oriente Médio é um dano incalculável”, diz o papa Francisco no Iraque

Papa Francisco faz orações diante das ruínas de uma igreja em Mossul, Iraque. Em 7 de março de 2021.
Papa Francisco faz orações diante das ruínas de uma igreja em Mossul, Iraque. Em 7 de março de 2021. AP - Andrew Medichini

Em seu último dia de visita ao Iraque, o Papa Francisco visitou Mossul, cidade localizada ao norte e que foi reduto do grupo Estado Islâmico (EI). Os conflitos com os jihadistas levaram a maioria dos cristãos a fugir do país. O sumo pontífice também visitou igrejas e rezou com fiéis.

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Cinco helicópteros iraquianos acompanharam o cortejo papal, na etapa considera a mais perigosa da viagem. Francisco percorreu a região onde o Estado Islâmico autoproclamou seu califado, em 2014. A segurança foi reforçada em toda a província, onde os jihadistas ainda estão escondidos, apesar da derrota militar do EI, no fim de 2017.

O santo pontífice visitou uma igreja milenar e que havia sido ocupada pelos extremistas. Ele disse que “o êxodo de cristãos do Oriente Médio é um dano incalculável”.

A ocupação de um terço do Iraque pelo grupo Estado Islâmico, entre 2014 e 2017, foi o último episódio de uma série de conflitos que levaram a maioria dos cristãos a deixar o país. De 1,5 milhão, antes da invasão americana, em 2003, hoje eles não passam de 400 mil em todo o território.

Igrejas históricas destruídas

No total, 14 igrejas na província de Nínive, da qual Mossul é a capital, foram destruídas, incluindo sete que datam dos séculos V, VI e VII.

Aos moradores, o papa deixou uma mensagem: disse ter "convicção de que a fraternidade é mais forte do que o fratricídio, que a esperança é mais forte do que morte, e que a paz é mais forte do que a guerra”.

“É cruel saber que este país, berço das civilizações, foi atingido por uma tempestade tão desumana, com a destruição de antigos locais de culto, enquanto milhares de pessoas - muçulmanos, cristãos, yazidis e outros – foram deslocados à força ou mortos pelo terrorismo", completou.

Para os cristãos do Iraque, que durante semanas restauraram igrejas destruídas ou queimadas pelo EI, a visita papal é um sinal de esperança. Aos 84 anos, Francisco já visitou muitos países muçulmanos como Turquia, Jordânia, Egito, Bangladesh, Azerbaijão, Emirados Árabes Unidos ou os Territórios Palestinos, sempre convocando a um diálogo inter-religioso.

No sábado (6), o papa Francisco teve um encontro histórico com o aiatolá Ali Sistani, o mais alto líder religioso dos muçulmanos xiita. Ambos se comprometeram com a paz no Iraque.  

"O Papa Francisco chega com seu traje branco para anunciar ao mundo inteiro que somos um povo de paz, de civilização, de amor", disse Boutros Chito, um padre católico em Mossul.

Missa em um estádio

O Papa ainda esteve em Qaraqosh, mais ao leste do Iraque, onde outra igreja foi queimada pelos jihadistas e agora passa por reformas. Mais uma vez, ele reafirmou: “não nos é permitido matar nossos irmãos em nome” de Deus, “não nos é permitido fazer guerra em seu nome”.

Sete anos atrás, Mounir Jibraïl deixou Qaraqosh quando os jihadistas fincaram sua bandeira negra por lá. Hoje, este cristão do norte do Iraque está de volta para receber seu líder religioso. “É maravilhoso ver o papa! Jamais imaginaríamos que ele viria a Qaraqosh”, disse o professor de matemática, de 61 anos. “Talvez ajude o país a se reconstruir e finalmente nos traga amor e paz”, completou.

“O caminho para uma recuperação plena ainda pode ser longo”, concordou o papa em seu discurso, “mas peço-lhes, por favor, que não desanimem”, continuou o líder de 1,3 bilhão de católicos em todo o mundo. “A capacidade de perdoar” e “a coragem de lutar” são “necessárias”, reiterou, num país onde as tensões religiosas ainda estão latentes.

A agenda do papa termina com uma missa, à tarde, num estádio em Erbil, capital do Curdistão, para milhares de fiéis.

(Com informações da AFP)

 

 

 

  

  

 

 

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