Covid-19: Putin denuncia críticas de comissário europeu à Sputnik V

Carregamento da Sputnik V chega à Bolívia em janeiro.
Carregamento da Sputnik V chega à Bolívia em janeiro. AFP - AIZAR RALDES

O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou nesta segunda-feira (22) as declarações "estranhas" do comissário para o mercado interno na União Europeia, Thierry Breton, em relação à Sputnik V, a vacina russa contra a Covid-19.  Ele afirmou na emissora francesa TF1, neste domingo (21), que os europeus "não dependem da Sputnik V de forma alguma", já que outros imunizantes foram homologados.

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O chefe de Estado russo também prometeu que vai se vacinar contra a Covid-19 nesta terça-feira (23). "Não forçamos ninguém a nada, mas nos questionamos sobre quais interesses estão sendo defendidos: os das empresas farmacêuticas ou os dos cidadãos europeus?", questionou Putin durante uma reunião transmitida pela TV. Os representantes da Agência Europeia dos Medicamentos (EMA) são esperados na Rússia no dia 10 de abril.

Putin também conversou nesta segunda-feira com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, pelo telefone, sobre a possibilidade de utilizar o imunizante na Europa. O presidente russo disse estar pronto para retomar a cooperação com a União Europeia. Ele lamentou a atitude às vezes "hostil" dos dirigentes do bloco.

Depois das declarações de Breton, os criadores da vacina russa contra o coronavírus acusaram, nesta segunda-feira (22), o comissário europeu de "preconceito" por ter afirmado que a União Europeia (UE) não tem necessidade da Sputnik V.  "Os preconceitos levam ao fracasso. E os fracassos de Breton são claros para muitas pessoas na UE", diz a mensagrem publicada no Twitter da conta oficial da vacina russa, em referência aos atrasos na campanha de vacinação na Europa.

 "A Sputnik V é uma vacina complementar, temos 350 milhões de doses", declarou Breton, acrescentando que "os russos têm dificuldade para fabricá-la e, sem dúvida, precisarão de ajuda. A vacina foi inicialmente recebida com ceticismo no exterior, mas sua segurança e eficácia foram validadas em fevereiro pela revista científica The Lancet. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) está examinando atualmente seu pedido de autorização.

Funcionários da UE acusam Moscou de fazer "propaganda" com a Sputnik V. Buscando ampliar sua capacidade de abastecer o exterior com vacinas, Moscou assinou nos últimos dias dois acordos para a produção de 400 milhões de doses na Índia, entre vários contratos.

Acordo com a Índia

O Fundo Soberano russo também anunciou, nesta segunda-feira (22), ter concluído um acordo com o grupo farmacêutico indiano Virchow Biotech para produzir, na Índia, 200 milhões de doses da vacina russa contra o conronavírus. O contrato, associado a outros dois assinados nos últimos dias, eleva para 652 milhões o número de doses que poderão ser produzidas na Índia e beneficiar 300 milhões de pessoas. 

A transferência de tecnologia deve terminar no segundo trimestre de 2021 e será acompanhada de uma produção comercial em grande escala, de acordo com um comunicado do Fundo russo que financiou parcialmente o desenvolvimento da vacina e negocia acordos de produçao no exterior. 

Na sexta-feira (19), a Rússia ja havia anunciado um outro contrato com a empresa farmacêutica indiana Stelis, para a produção de 200 milhões de doses e de 252 milhões com o grupo Gland Pharma. "As parcerias para a produção de vacinas serão a única maneira de superar a epidemia. O mundo continua seu combate contra a Covid-19, e o interesse pela Sputnik V tem aumentado", disse Kirill Dmitriev, dirigente do Fundo Soberano Russo. 

Em um comunicado, ele lembrou que a capacidade de produção para mais de 700 milhões de pessoas estava assegurada em dez países. A vacina já foi autorizada em 54 países, o equivalente a uma população de 1,4 bilhão de pessoas. O imunizante ainda não foi homologado na Índia, onde os testes clínicos ainda estão em andamento.

(Com informações da AFP)

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