Sancionada por reprimir minoria muçulmana, China anuncia retaliações a europeus

Os ministros das Relações Exteriores da Europa em 22 de março de 2021, em Bruxelas.
Os ministros das Relações Exteriores da Europa em 22 de março de 2021, em Bruxelas. AP - Aris Oikonomou

Pela primeira vez desde 1989, a União Europeia decidiu, nesta segunda-feira (22), impor sanções contra quatro autoridades chinesas acusadas de terem participado da repressão à minoria muçulmana uigur. A China respondeu imediatamente anunciando medidas visando dez parlamentares, acadêmicos e funcionários da União Europeia.

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Stéphane Lagarde, correspondente da RFI em Pequim

Olho por olho, dente por dente: a China decidiu aplicar a lei da retaliação aos europeus, como fez quando respondeu às sanções norte-americanas nos últimos meses. As medidas visam personalidades regularmente descritas como "anti-chinesas" pelo regime comunista, ou seja, parlamentares ou acadêmicos que denunciaram violações dos direitos humanos em Xinjiang, ou defenderam o povo de Hong Kong e seu governo.

Para o Global Times, trata-se de um aviso: “A União Europeia deveria ter aprendido uma lição com a disputa acalorada entre norte-americanos e chineses no Alasca, e como a China está sendo tratada. Se Pequim não tem medo de Washington, não falemos de Bruxelas, que é muito mais fraca", escreveu o Diário do Povo nesta segunda-feira, acrescentando que a China pode "aprender com a Rússia sobre o assunto". Uma espécie de aceno para o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que está visitando o país.

Concretamente, as sanções proíbem as pessoas afetadas e suas famílias de entrar na China continental, em Hong Kong e em Macau. Indivíduos e instituições não poderão mais fazer negócios com a China, disse o porta-voz da diplomacia chinesa. Um gesto com alcance calculado, tendo em vista as pessoas envolvidas. "Congele seus ativos na China, the real deal", brincou um dos europeus atingidos pela medida.

Sanções seguidas pelo Reino Unido e Estados Unidos

Anteriormente, os Estados Unidos também anunciaram sanções contra duas autoridades chinesas por seu papel em "graves violações dos direitos humanos" contra a minoria muçulmana uigur na região autônoma de Xinjiang, na China. "As autoridades chinesas continuarão sofrendo consequências enquanto ocorrerem atrocidades em Xinjiang", alertou em nota o chefe da secretaria do tesouro europeu, que supervisiona os programas de sanções.

O Reino Unido decidiu também tomar medidas equivalentes às da União Europeia. Londres sancionou quatro autoridades chinesas em conjunto com medidas tomadas pela UE, Estados Unidos e Canadá. O ministro britânico das Relações Exteriores alertou Pequim que a comunidade internacional não vai "fechar os olhos" a "violações tão graves quanto sistemáticas".

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