Covid-19: OMS reclama de falta de dados da China e pede nova investigação sobre origem do vírus

Equipe da OMS responsável por investigar as origens do Covid-19, após sua chegada ao aeroporto de Wuhan em 10 de fevereiro de 2021.
Equipe da OMS responsável por investigar as origens do Covid-19, após sua chegada ao aeroporto de Wuhan em 10 de fevereiro de 2021. REUTERS - ALY SONG

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu nesta terça-feira (30) uma nova investigação sobre a hipótese de uma fuga do vírus da Covid-19 de um laboratório na China e criticou a falta de acesso dos especialistas aos dados. 

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Embora os cientistas, que investigaram a origem do vírus na China em janeiro e fevereiro, estimem que essa possibilidade seja a menos provável, "isso requer mais pesquisas, provavelmente com novas missões com pesquisadores especializados, que estou disposto a implantar", assegurou.

Na apresentação oficial do relatório conjunto de especialistas da OMS e cientistas chineses sobre a origem do vírus, o chefe da instituição disse que a investigação permitiu avançar no conhecimento "de uma forma importante", mas que havia gerado outras questões que precisam de novos estudos.

A tese de um incidente de laboratório é considerada "extremamente improvável" no relatório dos especialistas da OMS, responsáveis ​​por lançar luz sobre as origens da pandemia.

Segundo elementos do relatório, seus autores julgam a transmissão do vírus a humanos por um animal intermediário como uma possibilidade "provável a muito provável".

Mas, nesta terça-feira (30), Tedros solicitou uma investigação mais profunda dessa hipótese com experts no assunto.

O chefe da OMS revelou ainda que a equipe internacional de especialistas afirmou que teve "dificuldades" em "ter acesso aos dados originais" enquanto esteve na China.

"Espero que novos estudos colaborativos sejam baseados no compartilhamento de dados de forma mais ampla e rápida", acrescentou.

União Europeia lamenta atraso no estudo

A União Européia (UE) descreveu nesta terça-feira como "útil" a divulgação do estudo OMS sobre a origem do coronavírus, embora tenha julgado que "mais trabalho" ainda será necessário para entender a situação.

“Embora lamentemos que o estudo tenha demorado tanto para começar, o envio tardio de especialistas e a disponibilidade limitada de amostras e informações, consideramos que o estudo realizado até agora e o relatório hoje divulgado são um primeiro passo útil”, afirmou a UE. disse em um comunicado.

De acordo com o documento, a saúde global é "uma responsabilidade comum de todos os membros da OMS".

"Cada falha ou atraso no compartilhamento de informações de saúde pública pode ter um impacto adverso em nível global, e pedimos a todos os países membros que continuem compartilhando informações com a OMS assim que estiverem disponíveis."

A declaração destacou que "mais trabalho terá que ser realizado para entender a origem do SARS-CoV-2 e sua introdução na população humana."

Isso exigirá acesso "às instalações relevantes e às informações humanas, animais e ambientais, inclusive sobre os primeiros casos de Covid-19", observou a UE em sua nota.

EUA e outros países mostram "preocupação"

Os Estados Unidos e 13 países aliados expressaram nesta terça-feira suas "preocupações comuns" em uma declaração conjunta sobre o relatório.

"É essencial expressar nossas preocupações comuns de que o estudo de especialistas internacionais sobre a origem do vírus SARS-CoV-2 foi significativamente atrasado e não teve acesso exaustivo aos dados e amostras originais", disse o governo dos Estados Unidos com outros países, incluindo Reino Unido, Israel, Canadá, Japão, Austrália, Dinamarca e Noruega.

Pompeo acusa 'farsa"

O ex-chefe da diplomacia dos Estados Unidos Mike Pompeo disse nesta terça-feira que o relatório dos especialistas sobre as origens da Covid-19 é "uma farsa" que dá continuidade à "campanha de desinformação" do Partido Comunista da China e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, "colaborou" com o presidente chinês, Xi Jinping, "para ocultar a transmissão entre humanos em uma conjuntura crítica", disse no Twitter o ex-secretário de Estado de Donald Trump.

Pompeo liderou, pelos Estados Unidos, a ofensiva para responsabilizar a China pela disseminação da pandemia no mundo todo e, no da caso da OMS, por ter fracassado em sua missão ao não limitar o poder de Pequim.

O ex-secretário afirmou ter evidências que comprovavam que o coronavírus poderia ter sido desenvolvido no Instituto de Virologia em Wuhan, a cidade chinesa onde foram detectados os primeiros casos conhecidos de Covid-19 no final de dezembro de 2019.

"O Instituto de Virologia de Wuhan continua sendo a fonte mais provável do vírus, e a OMS é cúmplice", reafirmou Pompeo nesta terça, defendendo a retirada dos Estados Unidos da agência da ONU.

(Com informações da AFP)

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