Suspeita de complô familiar contra rei Abdullah 2º da Jordânia leva à "prisão domicilar" de príncipe

Rei Abdullah 2º da Jordânia (centro) com seu meio-irmão,  príncipe Hamza (de turbante vermelho).
Rei Abdullah 2º da Jordânia (centro) com seu meio-irmão, príncipe Hamza (de turbante vermelho). © Khalil Mazraawi/ Getty Images/ AFP

As autoridades jordanianas prometeram dar explicações neste domingo (4) sobre a onda de detenções realizadas por "motivos de segurança" no sábado, incluindo membros da família real. O vice-primeiro-ministro do país indicou que o meio-irmão do rei Abdullah 2º da Jordânia, o príncipe Hamza, “ameaçou a segurança e a estabilidade” da nação.

Publicidade

Em um vídeo enviado à BBC por seu advogado, Hamza anunciou no sábado que foi posto em "prisão domiciliar" em seu palácio de Amã, após ser acusado pelas Forças Armadas de atividades contra "a segurança do reino". Nas imagens, ele afirma que o chefe do Estado Maior do Exército havia visitado sua casa e lhe dito que "não podia sair". O vice-premiê Tawfiq Krishan, encarregado do Ministério da Segurança Interna, esclareceu nesta tarde que “entre 14 e 16 pessoas” foram detidas.

O príncipe negou ter participado de um complô e acusou as autoridades do seu país de "corrupção" e "incompetência". Hamza é o filho mais velho do rei Hussein e de sua esposa americana, a rainha Noor, cujo nome de solteira era Lisa Halaby.

De acordo com o desejo do seu pai, falecido em 1999, ele foi nomeado príncipe-herdeiro quando Abdullah se tornou rei. Mas em 2004, Abdullah 2º retirou-lhe o título e o deu ao seu filho mais velho, Hussein.

Em um comunicado, o chefe do Estado maior jordaniano, general Yussef Huneiti, declarou que o príncipe Hamza tinha sido "chamado a deter as atividades que poderiam ser utilizadas para socavar a estabilidade e a segurança do reino", mas negou sua detenção. "Ninguém está acima da lei. A segurança e a estabilidade da Jordânia são a prioridade. Todas as medidas tomadas estavam dentro do âmbito da lei e foram adotadas após uma investigação exaustiva", acrescentou.

Pelo Twitter, a rainha Noor denunciou neste domingo uma "calúnia" e afirmou "rezar para que a verdade e a justiça prevaleçam para todas as vítimas inocentes".

Confusão no palácio

A agência oficial de notícias Petra noticiou que as autoridades detiveram um ex-assessor do rei, Bassem Awadallah, e outras pessoas, enquanto o jornal americano Washington Post reportou sobre um complô para depor o rei. O palácio real jordaniano ainda não comentou a situação, mas uma fonte do governo afirmou neste domingo ao canal de televisão oficial Al Mamlaka que as autoridades competentes emitiriam nas um comunicado esclarecendo os fatos.

Al Rai, único jornal oficial que comentou o ocorrido, reportou neste domingo que os interesses superiores do reino, a segurança e a estabilidade eram "uma linha vermelha que não pode ser cruzada quando se trata dos interesses superiores do reino”. “Algumas pessoas estão tentando imaginar uma tentativa de golpe de Estado na Jordânia e estão tentando implicar o príncipe Hamza", continuou o Al Rai. O jornal destacou que "algumas das ações do príncipe [Hamza] foram usadas deliberadamente para prejudicar a segurança e a estabilidade da Jordânia".

"Quem conhece a história da Jordânia sabe que este tipo de situação ocorre de vez em quando. Também sabe que qualquer tentativa de desestabilizar este país centenário ou de separar o povo de seus dirigentes está condenada ao fracasso", concluiu o jornal.

“Tradicionalmente, os conflitos são resolvidos de maneira muito pacifica na família real. É a primeira vez que vejo uma demonstração de força. O príncipe Hamsa é considerado um símbolo da contestação por aqueles que se opões à corrupção e à má gestão do governo”, explica o cientista político e diretor do Centro Árabe de Pesquisas e Estudos Políticos de Paris Salam Kawakibi, em entrevista à RFI. “O rei está numa posição muito delicada. Com Israel, as coisas estão muito ruins desde o começo do século. Com os sauditas também, não há muito a festejar. Entre as cobranças internas e uma manipulação externa, o rei busca ganhar uma força, uma legitimidade”, complementou.

Apoio em massa dos países do Golfo

O Reino da Jordânia, que celebrará seu centenário em 11 de abril, é um pequeno país que carece de recursos naturais e depende em grande medida de ajuda externa. Neste domingo (4), os países do Golfo em peso manifestaram apoio a Amã, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar.

Abu Dhabi declarou “pleno apoio a todas as medidas e decisões do rei Abdullah 2º para manter a segurança e a estabilidade”, termos semelhantes aos adotados pelos demais vizinhos. O emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al-Thani, telefonou para o rei jordaniano para prestar solidariedade ao monarca.

Com informações da AFP

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.