Príncipe jordaniano acusado de conspiração diz que não vai acatar prisão domiciliar

Jordan's Prince Hamzah bin Hussein shown in a file picture from 2015
Jordan's Prince Hamzah bin Hussein shown in a file picture from 2015 KHALIL MAZRAAWI AFP/File

O príncipe jordaniano Hamza bin Hussein, acusado de conspiração contra o meio-irmão, Abdullah II, rei da Jordânia, afirmou nesta segunda-feira (5) que não vai acatar a proibição de sair de sua residência, anunciada na véspera pelo comandante do Estado-Maior do país.

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O governo acusou Hamza de envolvimento em uma conspiração para "desestabilizar a segurança do reino" e ordenou sua prisão domiciliar. Pelo menos outras 16 pessoas foram detidas.

Mas Hamza, de 41 anos, diz ter recebido ordens para ficar dentro de seu palácio em Amã e prometeu que desafiaria as ordens que limitam seus movimentos e comunicações, em uma gravação de áudio postada no Twitter na noite de domingo.

"Não vou obedecer quando me proíbem de sair, de tuitar, de me comunicar com as pessoas, apenas com família ", afirmou.

Hamza – ex-príncipe herdeiro que foi destituído desse título por Abdullah em 2004 – vem se destacando como um crítico feroz da monarquia, acusando a liderança da Jordânia de corrupção, nepotismo e governo autoritário.

Em um vídeo que enviou à BBC no sábado, ele lamentou "a incompetência que prevaleceu em nossa estrutura de governo nos últimos 15 a 20 anos e que está piorando". Ele afirmou que "ninguém é capaz de falar ou expressar opinião sobre nada sem ser intimidado, preso, assediado ou ameaçado".

Hamza negou estar envolvido em qualquer conspiração "nefasta", mas disse que foi colocado em prisão domiciliar, com telefone e internet cortados, pelo chefe militar da Jordânia, general Youssef Huneiti. O príncipe acrescentou que quando Huneiti visitou sua casa, "gravei o que ele disse e mandei para meus amigos no exterior e para minha família, caso algo acontecesse".

Ex-prícipe-herdeiro

O rei Abdullah II, de 59 anos, nomeou Hamza como príncipe-herdeiro em 1999, de acordo com os últimos desejos do pai antes de morrer, mas tirou-lhe o título cinco anos depois e nomeou seu próprio filho, príncipe Hussein, agora com 26 anos, herdeiro do trono.

A mãe de Hamza, a rainha Noor, nascida nos Estados Unidos, defendeu seu filho, tuitando que ela estava "rezando para que a verdade e a justiça prevaleçam para todas as vítimas inocentes dessa calúnia perversa".

O jornal oficial Al-Rai disse em um editorial na segunda-feira que o país "evitou um capítulo de agitação graças à experiência da liderança e dos serviços de segurança jordanianos". O jornal culpou Hamza, argumentando que "o rei tentou resolver alguns problemas dentro da família, mas seu desejo fraternal de resolver o problema não foi recebido positivamente".

A crise revelou divisões em um país geralmente visto como um baluarte de estabilidade no Oriente Médio.

Washington, as principais potências do Golfo, o Egito e a Liga Árabe foram rápidos em prestar apoio a Abdullah II e a todas as suas medidas para garantir a estabilidade.

A Jordânia tem apenas 10 milhões de habitantes, mas uma importância estratégica imensa em uma turbulenta região. Faz fronteira com Israel e a Cisjordânia ocupada, Síria, Iraque e Arábia Saudita.

O reino hospeda tropas dos EUA e é lar de milhões de palestinos exilados, além de mais de meio milhão de refugiados sírios.

O Washington Post noticiou pela primeira vez no sábado que Hamza havia sido "colocado sob restrição" em meio a uma investigação de um suposto complô.

 

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