FMI aconselha taxar os ricos e empresas que mais lucraram durante a pandemia

Logotipo do FMI localizado na parte externa do prédio da sede da instituição, em imagem tirada em 27 de março de 2020 em Washington.
Logotipo do FMI localizado na parte externa do prédio da sede da instituição, em imagem tirada em 27 de março de 2020 em Washington. Olivier Douliery AFP/Archivos

Diante do esvaziamento dos cofres dos Estados durante a pandemia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou sua receita anti-crise nesta quarta-feira (7): aumentar os impostos para os mais ricos e para as empresas que tiveram lucros substanciais durante o surto de Covid-19, a fim de continuar a apoiar os mais vulneráveis.

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A Covid-19 ameaçou áreas inteiras da economia global e atingiu duramente as pessoas menos qualificadas, mas algumas empresas, como os gigantes da tecnologia, surfaram na pandemia e se saíram muito bem no ano passado, aumentando seus lucros, à medida que o mundo se tornou totalmente digital por causa das medidas de restrição e isolamento social.

Nos Estados Unidos em particular, algumas famílias, já abastadas, continuaram a enriquecer: conseguiram manter seus empregos em teletrabalho, aumentar sua participação no mercado de ações e economizar gastando menos com lazer e viagens.

Os preços das ações em todo o mundo, especialmente de empresas de alta tecnologia, aumentaram durante a pandemia, acelerando nas últimas semanas, para estabelecer novos recordes sucessivos, à medida que a economia global mostra sinais de uma forte recuperação da recessão pandêmica.

"A pandemia aumentou as desigualdades", disse Paolo Mauro, um dos executivos de assuntos orçamentários do Fundo Monetário Internacional (FMI), em uma entrevista coletiva. Ele lembrou que enquanto a recuperação acontece para grandes empresas e famílias ricas, milhões de pessoas ainda estão sem empregos e recursos. E os governos "devem continuar a fornecer apoio financeiro". É, portanto, "necessário mobilizar receitas tributárias adicionais para redistribuí-las por meio de redes de saúde, educação e seguridade social", acrescentou Mauro.

Para isso, o FMI recomenda o estabelecimento de um imposto temporário sobre as rendas mais altas para ajudar os governos a atender a essas necessidades de financiamento coletivo.

"Reverter tendências"

Observando que nas economias avançadas houve uma erosão da receita tributária das empresas nos últimos anos, Mauro solicitou à iniciativa internacional de "chegar a um acordo" sobre a tributação dos impostos corporativos, numa tributação mínima global. A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, destacou a iniciativa, rapidamente apoiada por países como França e Alemanha. “Também vimos uma erosão da tributação da renda pessoal para pessoas no topo da escala de renda”, disse Paolo Mauro.

"Portanto, nas economias avançadas há uma oportunidade de reverter essa tendência, aumentando os impostos de renda de empresas e pessoas mais ricas, eliminando brechas fiscais, aumentando os impostos sobre a propriedade ou o imposto sobre herança, detalhou ele. “Há toda uma gama de opções disponíveis”, continuou.

"Um imposto provisório para se recuperar da crise da Covid, que passaria por uma sobretaxa corporativa, faria sentido em particular para as empresas que tiveram mais lucros durante a crise", disse ele, referindo-se a gigantes como a Amazon.

Na terça-feira, o chefe da Amazon, Jeff Bezos, garantiu que apoiava a ideia de um aumento nos impostos corporativos nos Estados Unidos, enquanto o presidente norte-americano Joe Biden denunciou na semana passada o fato de que o grupo não paga nenhum imposto federal sobre seus lucros.

O chefe de assuntos orçamentários do FMI, Vitor Gaspar, por sua vez, defendeu a vacinação em todas as camadas da sociedade para tirar os países da crise. Mais de US$ 1 bilhão em receitas fiscais adicionais poderiam ser gerados até 2025 globalmente se todos os países controlassem a pandemia antes do esperado.

Isso também "economizaria bilhões em medidas de ajuda adicionais", observou o FMI neste relatório sobre supervisão orçamentária. “A vacinação é, portanto, mais do que efetiva em termos de custos, pois oferece uma excelente relação custo-benefício para os fundos públicos investidos para acelerar a produção e distribuição global de vacinas”, comentaram os autores do estudo.

(Com informações da AFP)

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