Junta militar expulsa embaixador birmanês em Londres; diplomata foi obrigado a dormir dentro do carro

Embaixador de Mianmar em Londres perde o cargo enquanto repressão violenta continua em seu país.
Embaixador de Mianmar em Londres perde o cargo enquanto repressão violenta continua em seu país. AP

Nesta quinta-feira (8), a junta militar demitiu o embaixador birmanês em Londres. O diplomata acusou o adido militar birmanês de "ocupar" sua embaixada, negando-lhe acesso ao local. Ao mesmo tempo, junta militar escolhe celebridades que se posicionam contra o golpe como alvo em Mianmar. 

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Com informações deJuan Carlos Bejarano, correspondente da RFI em Londres

A embaixada birmanesa em Londres teve seu próprio golpe depois que diplomatas próximos à junta militar expulsaram o embaixador Kyaw Zwar Minn, que foi forçado a deixar a sede diplomática e dormir a primeira noite em seu carro no centro de Londres.

Segundo o ex-embaixador Zwar Minn, que não escondeu sua oposição ao golpe militar em Mianmar, por trás dessa manobra diplomática está o adido militar que hoje é o representante oficial da junta militar no Reino Unido.

Em declarações à mídia local, o ex-diplomata disse que Mianmar é uma nação dividida à beira da guerra civil, garantindo que suas palavras não representam uma traição a seu país.

"Intimidação"

Esta manhã, o governo britânico, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Dominic Rabb, condenou a expulsão do embaixador birmanês, afirmando que se tratava de um ato de intimidação por parte do regime militar de Mianmar.

No entanto, após receber notificação oficial das autoridades birmanesas, sobre o encerramento das funções de embaixador, Londres ratificou sua posição diplomática de que sempre reconhecerá os Estados, e não os governos.

O Reino Unido, como a União Europeia, sancionou os membros do Conselho e seu líder, o general Ming Aung Hlaing, pelo golpe contra Aung San Suu Kyii e pelas violações dos direitos humanos que ocorreram após o golpe dos militares.

foto tirada em 11 de fevereiro de 2021, o modelo, ator e cantor Paing Takhon veste uma roupa tradicional chinesa enquanto segura uma placa durante uma manifestação contra o golpe militar em frente à embaixada chinesa em Yangon. Paing Takhon, que apoiou os protestos anti-golpistas do país, foi preso em 8 de abril, segundo informações, pois a junta caça mais de 100 celebridades por apoiarem o movimento.
foto tirada em 11 de fevereiro de 2021, o modelo, ator e cantor Paing Takhon veste uma roupa tradicional chinesa enquanto segura uma placa durante uma manifestação contra o golpe militar em frente à embaixada chinesa em Yangon. Paing Takhon, que apoiou os protestos anti-golpistas do país, foi preso em 8 de abril, segundo informações, pois a junta caça mais de 100 celebridades por apoiarem o movimento. AFP - STR

Segundo informações do jornal britânico The Guardian desta quarta-feira (8), a junta militar birmanesa agora almeja prender figuras públicas. As mídias sociais do modelo Paing Takhon, uma das celebridades mais populares de Mianmar, que tem muitos seguidores online, foram retiradas do ar após comentários contra o golpe militar.

Paing Takhon foi detido às 5h da manhã (hora local) desta quinta-feira, e é apenas um dos mais recentes de uma longa lista de milhares de pessoas detidas desde o golpe de fevereiro.

O jovem de 24 anos foi levado embora depois que oito caminhões com policiais e soldados chegaram à casa de sua mãe em Yangon, de acordo com relatos da mídia local. Ele se encontra com a saúde debilitada.

Os militares têm publicado os nomes e fotos de figuras populares em listas diárias de procurados na TV e no jornal estatal. Mais de 100 estão sendo procurados pelos militares e muitos se esconderam.

Na quarta-feira (7), a popular blogueira de beleza Win Min Than foi levada por forças de segurança que chegaram a um hotel onde ela estava hospedada com sua mãe, de acordo com o site de notícias Irrawaddy.

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