Casos de coágulos colocam vacina da Johnson & Johnson na mira da Agência Europeia de Medicamentos

Agência reguladora europeia examina coágulos potencialmente vinculados à vacina da Johnson & Johnson.
Agência reguladora europeia examina coágulos potencialmente vinculados à vacina da Johnson & Johnson. AP - Mark Lennihan

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) declarou nesta sexta-feira (9) que estava investigando ligações entre a vacina contra a Covid-19 da Johnson & Johnson e casos de coágulos sanguíneos, e expandindo sua investigação para problemas vasculares com o produto da AstraZeneca.

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A EMA disse que um comitê de segurança "iniciou um estudo" com o objetivo "de avaliar informações sobre incidentes tromboembólicos" envolvendo pessoas que receberam a vacina do laboratório Johnson & Johnson. A União Europeia autorizou a vacina, que deve ser implementada ainda em abril.

“Foram relatados, após a vacinação com a vacina Covid-19 Janssen, quatro casos graves de coágulos incomuns associados a baixos níveis de plaquetas”, informou a EMA.

“Um caso surgiu durante um ensaio clínico e três surgiram em conexão com a vacinação nos Estados Unidos. Um deles foi fatal”, acrescentou a agência.

A organização, com sede em Amsterdã, estuda também casos de coágulos sanguíneos em pessoas que receberam a vacina AstraZeneca e possíveis ligações entre o produto e casos de problemas vasculares.

Síndrome de vazamento capilar

A agência disse que está analisando cinco ocorrências de síndrome de vazamento capilar, que é "caracterizada pelo vazamento de fluido dos vasos sanguíneos, fazendo com que o tecido inche e a pressão arterial caia".

"Uma relação de causa e efeito ainda não foi claramente estabelecida", disse a EMA em um comunicado.

Ambas as vacinas, Johnson & Johnson como AstraZeneca, usam tecnologia de vetor de adenovírus.

A EMA disse que depois de investigar esses dois casos, "vai decidir se é ou não necessária uma ação regulatória". Isso pode consistir na notificação de possíveis efeitos colaterais.

O número de casos é "extremamente baixo" em comparação com as 4,5 milhões de doses da vacina Johnson & Johnson administradas em todo o mundo, destacou o chefe de segurança de medicamentos da EMA, Peter Arlett.

Atraso na entrega nos EUA

Nos Estados Unidos, as entregas da vacina da Johnson & Johnson contra a Covid-19 cairão drasticamente na próxima semana, segundo dados das autoridades de saúde, renovando as preocupações sobre as dificuldades de produção da empresa.

O número de vacinas "J&J" que serão distribuídas em diferentes estados cairá de 4,9 milhões de doses, na semana de 5 de abril, para 700 mil na de 12 de abril, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), principal agência federal de saúde pública.

A empresa prometeu entregar "quase 100 milhões de doses" ao governo dos Estados Unidos "até o final de maio" e garante que vai honrar o compromisso.

Desperdício de 15 milhões de doses

Mas, na semana passada, surgiram revelações sobre um lote de doses - cerca de 15 milhões, de acordo com a imprensa americana - perdidas por engano em uma fábrica em Baltimore.

Ingredientes usados ​​na fabricação de outra vacina, a da AstraZeneca, teriam sido confundidos com os da vacina da "J&J", segundo o jornal The New York Times.

O erro foi detectado em verificações de qualidade e as doses defeituosas nunca saíram da fábrica, que ainda aguarda a autorização oficial das autoridades para o fornecimento da vacina.

Desde então, a produção do remédio da AstraZeneca foi retirada dessa planta, administrada pela empresa parceira Emergent BioSolutions.

"A Johnson & Johnson assume total responsabilidade por esse incidente", disse a empresa americana em um comunicado no sábado, dizendo "trabalhar em estreita colaboração" com a Agência de Drogas dos Estados Unidos (FDA) para obter autorização urgente para produzir sua vacina na fábrica de Baltimore.

Dose única

A vacina da Johnson & Johnson, que tem a grande vantagem logística de ser administrada em dose única, foi autorizada com urgência nos Estados Unidos no final de fevereiro, após as da Pfizer/BioNTech e Moderna.

A "J&J" entregou 20 milhões de doses em março aos Estados Unidos, em linha com as metas estabelecidas, e "24 milhões é a meta com a qual a empresa se comprometeu para o mês de abril", disse Jeff Zients há uma semana. Ele é o coordenador da Casa Branca na luta contra a Covid-19.

"A Moderna e a Pfizer agora têm uma taxa constante (de entrega) todas as semanas. Isso não é algo que a Johnson & Johnson conseguiu fazer no momento", admitiu.

(Com informações da AFP)

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