China critica decisão japonesa de despejar mais de um milhão de toneladas de água tratada de Fukushima no mar

A China classifica de "irresponsável" a decisão do Japão de lançar no mar mais de 1 milhão de toneladas de água proveniente da central nuclear de Fukushima. A Coreia do Sul também lamenta a escolha de Tóquio, que representa, segundo o governo sul-coreano, um risco para o ecossistema marítimo.
A China classifica de "irresponsável" a decisão do Japão de lançar no mar mais de 1 milhão de toneladas de água proveniente da central nuclear de Fukushima. A Coreia do Sul também lamenta a escolha de Tóquio, que representa, segundo o governo sul-coreano, um risco para o ecossistema marítimo. AP - Lee Jin-man

A China classificou nesta terça-feira (13) de "irresponsável" a decisão do Japão de lançar no mar mais de 1 milhão de toneladas de água tratada da central nuclear de Fukushima. 

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A medida "é extremamente irresponsável e irá prejudicar muito a saúde e a segurança pública no mundo, bem como os interesses vitais dos países vizinhos", denunciou a chancelaria chinesa em um comunicado. 

A Coreia do Sul expressou uma "preocupação profunda" com a decisão japonesa. 

O primeiro-ministro Yoshihide Suga anunciou que o Japão irá lançar no mar a água procedente da usina nuclear acidentada de Fukushima (nordeste), uma vez tratada, apesar da oposição gerada pelo projeto. 

A decisão põe fim a sete anos de debates sobre como se desfazer da água da chuva, das camadas subterrâneas ou das injeções necessárias para esfriar os núcleos dos reatores que entraram em fusão em consequência do tsunami de 11 de março de 2011

A água será lançada "depois de se assegurar de que se encontra em um nível (de substâncias radioativas) claramente inferior aos padrões de segurança", declarou Suga, acrescentando que o governo "tomará medidas" para impedir que isso prejudique a reputação da região. 

Atualmente, cerca de 1,25 milhão de toneladas de água contaminada estão armazenadas em mais de mil cisternas perto da usina nuclear, no nordeste do Japão. Para se ter uma ideia, relata Frédéric Charles, correspondente da RFI no Japão, esse volume poderia preencher 500 piscinas olímpicas.

Uma decisão era necessária com urgência, uma vez que o limite de capacidade de armazenamento de água no local pode ser atingido no segundo semestre de 2022. 

Não completamente limpa

A água que será lançada no mar nessa operação, que levará dois anos, foi filtrada várias vezes para eliminar a maioria das substâncias radioativas (radionuclídeos), mas não o trítio, porque o mesmo não pode ser removido com as técnicas atuais. 

Deu-se preferência a essa opção sobre outras, como a evaporação no ar ou o armazenamento sustentável, mas os pescadores e agricultores de Fukushima a criticam, por temerem que essa decisão prejudique ainda mais a imagem de seus produtos entre os consumidores. 

"Tomaremos medidas para evitar que circulem rumores nefastos contra a agricultura, as florestas, a pesca e o turismo locais", afirmou o chefe da Tepco, operadora da central nuclear, Tomoaki Kobayakawa. 

No começo de 2020, especialistas designados pelo governo recomendaram o lançamento no mar, uma prática já existente no Japão e no exterior em instalações nucleares ativas. O trítio só é perigoso para a saúde humana em doses muito altas, segundo os especialistas. A Agência Internacional de Energia Atômica também defende essa opção. 

A organização ambientalista Greenpeace pede que a água permaneça armazenada até que a tecnologia permita que ela seja totalmente descontaminada. 

(com informações da AFP)

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