Merkel, Macron e Zelensky pedem a retirada das tropas russas da fronteira com a Ucrânia

Emmanuel Macron e seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Paris, 16 de abril de 2021.
Emmanuel Macron e seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Paris, 16 de abril de 2021. REUTERS - POOL

A chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês Emmanuel Macron e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pediram nesta sexta-feira (16) a retirada das tropas russas da fronteira com a Ucrânia, em prol da "desaceleração" das tensões na região.

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Os líderes alemães, franceses e ucranianos compartilharam, durante uma videoconferência, "suas preocupações sobre o aumento das tropas russas na fronteira com a Ucrânia, bem como na Criméia, anexada ilegalmente", segundo um comunicado conjunto da chancelaria alemã.

Angela Merkel, assim como os presidentes francês e ucraniano, pedem a retirada "desses reforços de tropas para conseguir uma desaceleração" das tensões no local.

Para uma implementação completa dos acordos selados em Minsk, Merkel e Macron “sublinharam seu apoio à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia”, bem como “a necessidade de ambas as partes respeitarem integralmente os acordos de Minsk”, acrescentou o comunicado.

Durante várias semanas, os confrontos aumentaram entre Kiev e separatistas pró-russos em Donbass (leste da Ucrânia), enquanto dezenas de milhares de soldados russos foram posicionados nas proximidades, aumentando o temor de uma operação militar em grande escala.

Cúpula a 4 

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, convocou uma cúpula com o presidente russo Vladimir Putin, além do presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, - ambos mediadores no dossiê ucraniano - para tentar aliviar as tensões com Moscou.

"Quero que todos os quatro participem para discutir a situação de segurança no leste da Ucrânia" e o fim da "ocupação de nossos territórios", disse ele após um almoço em Paris com Macron e uma videoconferência com Merkel.

Antecipando o resultado da videoconferência, o Kremlin pediu a Paris e Berlim que usassem sua "influência" com o presidente ucraniano para acabar com o que qualificou de "provocações" da Ucrânia no leste de seu território.

Neste contexto volátil, Zelensky reiterou o desejo de seu país de aderir à Aliança Atlântica e à União Europeia. "Não podemos ficar indefinidamente na sala de espera da UE e da OTAN", disse ele ao diário francês Le Figaro.

“Se pertencemos a uma mesma família, devemos viver juntos. Não podemos sair juntos para sempre, como eternos noivos, devemos legalizar nossas relações”, insistiu o ucraniano, à atenção de Paris e de Berlim.

No entanto, a adesão à OTAN parece muito remota em vista da feroz hostilidade da Rússia a tal cenário e da relutância de vários Estados-membros da Aliança, incluindo a França, por medo de provocar Moscou.

Crise

A discussão se concentrou principalmente na busca de uma "solução política" para a crise e nos "meios para trazer a Rússia de volta às negociações", segundo observou a presidência francesa, cogitando um encontro "nos próximos dias" de especialistas no chamado "formato da Normandia" (fórum de diálogo entre os quatro países).

A crise em torno da Ucrânia se acalma no momento em que as tensões aumentaram entre Washington e Moscou, desde que Joe Biden chegou à Casa Branca em janeiro.

A Rússia anunciou nesta sexta-feira a expulsão de diplomatas norte-americanos e "recomendou" ao embaixador dos Estados Unidos que retorne a seu país em reação às sanções norte-americanas.

O governo dos EUA decretou na véspera uma série de severas sanções financeiras contra a Rússia e a expulsão de dez diplomatas russos após uma série de atos, incluindo um ataque cibernético gigante e interferência nas eleições presidenciais dos EUA em novembro.

Joe Biden, no entanto, reiterou sua proposta de cúpula com Vladimir Putin para iniciar a "desaceleração" das tensões, uma iniciativa considerada "positiva" pelo Kremlin nesta sexta-feira. A Rússia também anunciou no mesmo dia que limitaria a navegação de navios estrangeiros em três áreas da Crimeia, uma atitude condenada pela União Europeia, até outubro.

"Pedimos à Rússia que garanta o livre acesso aos portos ucranianos no Mar de Azov e permita a liberdade de navegação", respondeu a OTAN.

A probabilidade da Rússia invadir a Ucrânia nas próximas semanas é "reduzida à média", estimou na quinta-feira o chefe das forças norte-americanas na Europa, o general Tod Wolters.

(Com informações da AFP)

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