Navalny está muito fraco e requer assistência médica urgente, dizem advogados após visita

Olga Mikhailova, advogada de Alexei Navalny, pôde visitá-lo no hospital penitenciário para onde o opositor foi transferido no domingo.
Olga Mikhailova, advogada de Alexei Navalny, pôde visitá-lo no hospital penitenciário para onde o opositor foi transferido no domingo. AP - Alexander Zemlianichenko

O russo Alexei Navalny, principal adversário político do presidente Vladimir Putin, está "muito fraco" e não está recebendo os cuidados médicos adequados no hospital para prisioneiros tuberculosos para onde foi transferido no domingo (18), afirmam os advogados do opositor. Depois de visitá-lo nesta terça-feira (20), os defensores reclamam a transferência de Navalny para Moscou. 

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Em greve de fome desde 31 de março, Navalny foi levado do presídio onde cumpria a condenação a dois anos e meio de prisão para um hospital penitenciário em Vladimir, a nordeste de Moscou. Seus parentes têm alertado desde o fim de semana que o opositor pode morrer a qualquer momento.

"Ele está muito fraco, tem dificuldade em se sentar e falar", disse uma de suas advogadas, Olga Mikhailova, a jornalistas, garantindo que Navalny "não recebe assistência médica adequada". Ela exige a transferência imediata de seu cliente "para um hospital civil" em Moscou "para evitar que ele morra".

Poucas horas antes da visita dos advogados, a médica pessoal de Navalny, Anastasia Vassilieva, tentou vê-lo junto com outros médicos. Mas o grupo foi impedido de entrar no estabelecimento para tuberculosos. As autoridades russas têm rejeitado a presença da médica desde março, a cada vez que ela tenta examinar o opositor.

Em nota à agência AFP, ela denunciou uma "atitude muito desrespeitosa", evocando seu "dever médico de ajudar um paciente" e assegurando que se tratava "da vida" do adversário número um de Vladimir Putin.

A pressão ocidental continua forte, mas não tem efeito sobre o Kremlin. A chanceler Angela Merkel disse que estava "extremamente preocupada" com o estado de saúde de Navalny e que estava trabalhando para garantir que ele recebesse os cuidados apropriados.

O opositor, de 44 anos, parou de comer em 31 de março para protestar contra suas condições de detenção, acusando a administração penitenciária de recusar a visita de um médico quando ele sofre de hérnia de disco dupla e perda de sensibilidade nas pernas e nos braços.

Navalny foi preso em janeiro, assim que retornou à Rússia após cinco meses de convalescença na Alemanha por um envenenamento do qual acusa pessoalmente o presidente russo. O adversário político de Putin, que denuncia incessantemente a corrupção endêmica na Rússia, foi condenado a dois anos e meio de prisão por um caso de fraude que remonta a 2014. O processo teve motivação sobretudo política, na avaliação de observadores.

Bruxelas e Washington preocupados

Os serviços penitenciários russos garantem desde segunda-feira que o estado de saúde do opositor é "satisfatório". Mas pessoas próximas de Navalny, que é advogado, descrevem uma situação alarmante. Leonid Volkov, próximo do opositor, diz que ele foi transferido "para um campo de concentração e tortura e não para o hospital". Sua mãe, Liudmila, escreveu no Instagram que a colônia penal onde ele está internado é "pior" que a anterior.

O destino do oponente, e de forma mais geral as relações entre Bruxelas e Moscou, estiveram na pauta de uma reunião dos 27 chanceleres da União Europeia na segunda-feira. O chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell, culpou as autoridades russas pelo estado de saúde deteriorado do opositor, assim como o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, mais tarde.

A Corte Europeia dos Direitos do Homem (CEDH) questionou o governo russo sobre as condições de detenção, querendo saber se são "compatíveis com o direito à vida" de Navalny. O Kremlin permanece impassível e continua a denunciar as críticas ocidentais como uma ingerência em assuntos internos da Rússia.

Apoiadores de Navalny convocaram protestos em toda a Rússia nesta quarta-feira (21), dia do discurso anual de Vladimir Putin. Segundo eles, atos estão previstos em pelo menos 106 cidades, apesar de proibidos pelas autoridades.

O governo responde à mobilização com mais intimidação, realizando buscas nas instalações da organização de Navalny em Krasnoyarsk (Sibéria) e no escritório do coordenador do movimento em Belgorod (sul de Moscou). Em várias cidades, líderes locais do movimento pró-Navalny têm sido detidos pela polícia. O Ministério do Interior russo advertiu que tomará "todas as medidas necessárias" contra manifestações não autorizadas.

A Procuradoria da Rússia declarou na sexta-feira que pretendia banir o fundo anticorrupção de Navalny (FBK) por "extremismo". Em novo comunicado divulgado hoje, o órgão disse que o FBK "desestabiliza a situação sociopolítica (...) com os apelos a ações violentas" e "tentando envolver menores", a pedido de "centros estrangeiros".

(Com informações da AFP)

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