Após confrontos com mais de 200 feridos em Jerusalém, Israel se prepara para nova onda de violência

A polícia israelense diante dos manifestantes durante os confrontos nas proximidades da mesquita al-Aqsa, em Jerusalém em 7 de maio de 2021.
A polícia israelense diante dos manifestantes durante os confrontos nas proximidades da mesquita al-Aqsa, em Jerusalém em 7 de maio de 2021. REUTERS - AMMAR AWAD

A calma voltou a Jerusalém, mas ainda é frágil. No dia seguinte a um dos confrontos mais violentos dos últimos anos entre polícia israelense e palestinos, a Esplanada das Mesquitas foi reaberta para a oração neste sábado (8) e milhares de fiéis se reuniram novamente. Mas novos confrontos são esperados no domingo (9).

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As equipes médicas do Crescente Vermelho palestino contaram ao menos 205 palestinos feridos nos confrontos de sexta-feira (7). De acordo com a ONG, muitos deles perderam um olho. A polícia israelense, que informou que 18 policiais foram feridos, mobilizou reforços dentro e ao redor do centro histórico. Diversas rotas de acesso foram fechadas, de acordo com o correspondente da RFI Christian Brunel.

O exército também foi colocado em estado de alerta na Cisjordânia ocupada. De acordo com as Forças armadas, dois palestinos que se preparavam para cometer um atentado em Israel, foram mortos e outro ficou gravemente ferido pelos tiros dos soldados.

Escalada

Milhares de fiéis muçulmanos estavam reunidos na Esplanada das mesquitas - chamada de Monte do templo pelos judeus - para a última grande oração da sexta-feira antes do fim do Ramadã quando os confrontos começaram. 

Essa súbita escalada de violências foi provocada principalmente por um projeto de expulsão de dezenas de palestinos de suas casas no leste de Jerusalém, para assentar colonos israelenses. Para o ministério israelense de Assuntos Exteriores, os palestinos aproveitam “de um conflito imobiliário entre particulares” para incitar a violência.

As imagens do exército israelense lançando granadas e balas de borracha em palestinos dentro da mesquita al-Aqsa, um vídeo de um soltado, na entrada da cidade antiga de Jerusalém, lançando uma granada na multidão onde estão crianças e fotos da Esplanada das Mesquitas sob gás lacrimogênio do Exército, pedras e garrafas lançadas pelos manifestantes circularam nas redes sociais e na televisão israelense, segundo a correspondente da RFI em Jerusalém, Alice Froussard.

Reação internacional

Os Estados Unidos, a ONU, a União Europeia e a Rússia reagiram, neste sábado, em comunicados pedindo o fim da escalada de violência. O presidente da Autoridade palestina, Mahmoud Abbas, responsabilizou o governo de Israel.

O Irã pediu a ONU que condene um “crime de guerra” cometido por Israel e condenou o ataque contra a mesquita al-Aqsa “pelo regime militar que ocupa” Jerusalém.

Novos conflitos podem explodir no domingo, quando os muçulmanos celebram a “noite do destino” que marca a revelação do Corão ao profeta Maomé, enquanto israelenses festejam o dia de Jerusalém, organizado para celebrar a anexação da parte árabe da cidade, com desfiles de nacionalistas no centro histórico. Na segunda-feira (10), a Suprema Corte israelense deve se pronunciar sobre os projetos de expulsão no leste de Jerusalém.

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