Eficácia de vacina chinesa é questionada após novo pico de Covid-19 em Seychelles

Enfermeira vacina mulher com Sinopharm em Seychelles, no início da campanha de imunização do país (10/01/2021).
Enfermeira vacina mulher com Sinopharm em Seychelles, no início da campanha de imunização do país (10/01/2021). AFP - RASSIN VANNIER

As ilhas Seychelles, pequeno país do oceano Índico que apresenta um dos maiores índices de vacinação do mundo contra a Covid-19, enfrenta um novo pico de contaminações pelo coronavírus. A eficácia da vacina Sinopharm, administrada no país e cujo uso emergencial recém foi aprovado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), é questionada. A Sinopharm também foi liberada nesta semana pela autoridade sanitária do Brasil, a Anvisa.

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Há cerca de um mês, o arquipélago comemorava ter atingido 60% da população completamente imunizada contra o coronavírus, taxa superior ao maior exemplo mundial de vacinação, Israel (59%), e quase o dobro da verificada nos Estados Unidos (32%). Considerando-se os que tomaram apenas uma dose, o índice sobe para 70% nas ilhas.

Mesmo assim, o país registra uma nova alta das contaminações, de 150 novos casos por dia – 10 vezes mais do que em março. Mais intrigante: um terço dos 1.000 casos positivos nesta sexta-feira (7) são pessoas que já tinham recebido as duas doses do imunizante. Os outros dois terços tinham recebido uma ou nenhuma injeção.

“Apesar de todos os esforços excepcionais que realizamos, a situação do nosso país em relação à epidemia é crítica”, reconheceu o ministro da Saúde, Peggy Vidot.

Resultado: Seychelles se vê obrigada a aplicar novamente medidas restritivas, como fechamento de escolas por três semanas, antecipação do horário de fechamento de comércios, bares e restaurantes e manutenção de um toque de recolher à noite.

China reconhece que eficiência deve melhorar

Na linha de mira, está a vacina chinesa Sinopharm, recebida por doação dos Emirados Árabes, que também aplicou em massa o produto. Segundo a própria fabricante, ela seria 79% eficiente contra formas graves da doença. O Centro de Controle de Doenças e Prevenção da China, por sua vez, admitiu em abril que a eficiência dos imunizantes produtos desenvolvidos no país “não é alta” e precisa melhorar. Os Emirados Árabes Unidos já fazem testes com três, e não duas doses do produto.

A Índia complementou a campanha de vacinação em Seycheles, ao ceder mais 50 mil doses da Covishield, equivalente indiano da AstraZeneca. Sabe-se que o Reino Unido, que priorizou a vacinação com o produto da AstraZeneca, está perto de zerar as mortes por coronavírus, chegando a registrar apenas um óbito pela doença nesta semana.

O governo de Seychelles ainda não forneceu uma explicação para o novo pico. A alta dos casos pode estar ocorrendo pela chegada da variante sul-africana do coronavírus no país, para a qual os resultados das vacinas podem ser menores. O escritório africano da OMS afirmou que acompanha de perto a evolução da situação no país.

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