Afeganistão: Talibã anuncia cessar-fogo de três dias após novo atentado

Vítima de atentados a bomba mortal no sábado próximo a uma escola, em um cemitério a oeste de Cabul, Afeganistão, domingo, 9 de maio de 2021.
Vítima de atentados a bomba mortal no sábado próximo a uma escola, em um cemitério a oeste de Cabul, Afeganistão, domingo, 9 de maio de 2021. AP - Mariam Zuhaib

O Talibã anunciou nesta segunda-feira (10) um cessar-fogo de três dias no Afeganistão para o feriado de Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã, dois dias após um ataque a uma escola que matou mais de 50 pessoas e uma nova explosão nesta segunda-feira.

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Segundo um comunicado dos insurgentes "os mujahideen dos emirados islâmicos (o Talibã) receberam ordens de cessar todos os ataques ao inimigo em todo o país do primeiro ao terceiro dia do Eid", uma celebração cuja data depende da posição da Lua. "Mas se o inimigo realizar um ataque contra vocês nesses dias, estejam preparados para se proteger e defender com firmeza o território", continuava o texto.

Nesta segunda-feira (10), outro atentado deixou pelo menos11 mortos após a explosão de uma bomba quando passava um ônibus, na província de Zaboul, algumas horas antes do anúncio feito pelos talibãs, segundo o Ministério do Interior.

No sábado, ocorreu o atentado mais letal em um ano no Afeganistão, contra uma escola para meninas. Uma série de explosões ocorreu do lado de fora do estabelecimento em um bairro predominantemente xiita de Hazara, no oeste de Cabul, enquanto os residentes faziam compras para Eid al-Fitr.

Mais de 50 pessoas morreram, a maioria garotas, e cerca de cem ficaram feridas. O ataque não foi reivindicado, mas o presidente afegão, Ashraf Ghani, responsabilizou o Talibã. 

Enterros ocorreram neste domingo

Neste domingo (9), familiares começaram a enterrar os mortos no "cemitério dos mártires", onde repousam as vítimas dos ataques contra a comunidade hazara. Os hazaras são xiitas e costumam ser alvos de grupos extremistas islâmicos sunitas.

Os insurgentes talibãs, porém, negaram qualquer responsabilidade e emitiram um comunicado dizendo que a nação deveria "proteger e zelar pelas escolas".

As explosões ocorreram quando o exército americano continua retirando seus últimos 2.500 soldados ainda presentes em um país destruído por 20 anos de conflito e atormentado pela violência.

(Com AFP)

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