Vizinhos viram inimigos: escalada de violência no Oriente Médio atinge judeus e árabes em Israel

O sistema antimísseis de Israel intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza. Ashkelon (12/5/21).
O sistema antimísseis de Israel intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza. Ashkelon (12/5/21). REUTERS - NIR ELIAS

A escalada de violência entre palestinos e israelenses é destaque na imprensa francesa desta quinta-feira (13). Mais de 1.500 foguetes foram lançados da Faixa de Gaza em direção a várias cidades em Israel desde o início dos confrontos, na segunda-feira. Aviões militares israelenses revidam bombardeando alvos do Hamas.

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Os últimos números do ministério da Saúde da Faixa de Gaza indicam que pelo menos 83 pessoas morreram e quase 400 ficaram feridas nesse território palestino miserável. Israel contabiliza sete mortos, incluindo um menino de cinco anos e um soldado, e centenas de feridos.

O último balanço informa que a maioria das vítimas é palestina. Ao todo, 83 pessoas morreram na Faixa de Gaza, sendo 17 crianças, informou o Hamas nesta manhã. O grupo admitiu a morte de vários de seus comandantes, entre eles Bassem Issa, líder de seu braço militar em Gaza.

Samuel Forey, enviado especial do jornal Libération, escreve de Lod, situada a 15km de Tel-Aviv. Até então, 80 mil habitantes – um terço deles, palestinos israelenses – viviam em uma certa harmonia “inteligente”, uma “convivência de 70 anos que foi destruída em alguns dias”, diz a reportagem.

“Às vezes uma bomba não é feita de explosivos, mas de rancores, cansaço e de raiva acumulados há muito tempo. E isso tudo explodiu na segunda-feira em Lod”, em consequência dos confrontos na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém.

Vizinhos viraram inimigos. A cidade de Lod se transformou em cenário de guerra campal, com carros queimados, pedras e restos de granadas pelo chão. Vidros de janelas quebrados. Duas sinagogas e um centro judeu incendiados.

Árabes israelenses se juntam à causa

No site do jornal Le Monde, o jornalista especialista em Oriente Médio Piotr Smolar responde a perguntas de internautas. Um deles questiona sobre a forte mobilização de árabes israelenses em solidariedade aos palestinos.

O jornalista responde que isso é um elemento “novo, espetacular e praticamente inesperado”. Ele lembra que em 2015 e em 2019, a Lista Árabe Unida, de partidos representando a comunidade árabe (20% da população israelense), havia adotado uma estratégia “muito coerente e inédita”, sob influência do líder Ayman Odeh: “não falar da questão palestina, mas lutar pela igualdade de direitos dentro da sociedade israelense”. Minoria estigmatizada pela direita israelense, os árabes israelenses “não se esquecem que são considerados como cidadãos de segunda classe, suspeitos”, explica Le Monde. Mas o confronto em Jerusalém “foi um grito de aliança que reuniu palestinos de todos os horizontes”, acrescenta.

Le Figaro explica o funcionamento do Escudo de Ferro israelense, um sistema móvel construído com ajuda dos Estados Unidos, com o objetivo de bloquear projéteis como foguetes ou artilharia. “Segundo o fabricante, o escudo consegue abater em pleno voo projéteis a até 70km de distância, de dia ou de noite, em qualquer situação meteorológica”, explica Le Figaro.

A adoção do escudo provocou ceticismo quanto à sua eficácia, há cerca de dez anos. Mas desde então, o escudo já interceptou milhares de foguetes palestinos vindos do enclave de Gaza, relata o jornal francês.  

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