Índia: pessoas que se curaram da Covid-19 desenvolvem mucormicose, a "doença do fungo preto"

Des médecins s’occupent d’un malade souffrant de problèmes respiratoires dans un hôpital du district de Bijnor, dans l'Uttar Pradesh, le 11 mai 2021.
Des médecins s’occupent d’un malade souffrant de problèmes respiratoires dans un hôpital du district de Bijnor, dans l'Uttar Pradesh, le 11 mai 2021. REUTERS - DANISH SIDDIQUI

A Índia sofre há semanas com uma segunda onda devastadora da Covid-19. Como se não bastasse, entre as pessoas que se recuperaram, um novo flagelo vem sendo detectado, chamado de "a doença do fungo preto".

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Sébastien Farcis, correspondente da RFI em Nova Délhi 

Tudo começa com dores de cabeça e vermelhidão nos olhos. Rapidamente, uma mancha preta se espalha pela córnea. Esses são sintomas de um fungo responsável por uma doença chamada de mucormicose.

Em poucos dias, o flagelo pode tomar o rosto inteiro. Em alguns casos, os médicos são obrigados a retirar os olhos ou até mesmo uma parte da mandíbula das pessoas atingidas pelo "fungo preto".

A doença pode ser fatal, especialmente se ela chegar ao cérebro. Centenas de casos de mucormicose vem sendo registrados por dia na Índia. O motivo: tratamentos inadequados contra a Covid-19.

"A principal razão é a utilização abusiva de esteroides e de antibióticos por via intravenosa", explica o médico-cirugião Arvind Singh Soin, do hospital Medanta, em Gurgaon. "Quando você mata as bactérias desta forma, você favorece a propagação do fungo", reitera.

No entanto, esse não é o único motivo, ressalta o especialista, em entrevista à RFI. "Uma outra razão é a falta de higiene durante a intubação, com a utilização de máscaras ou tubos sujos, por exemplo", diz. Segundo Soin, o fungo se propaga especialmente em pessoas que sofrem de diabetes, mas não se tratam.

Em termos de quantidade, os casos de "fungo preto" ainda são raros: algumas centenas foram registrados entre o total de 10 milhões de casos de Covid-19 registrados em apenas um mês no país. No entanto, a multiplicação da doença preocupa os médicos, sobretudo porque o remédio antifúngico utilizado para combater a mucormicose já está em falta em algumas das maiores cidades da Índia. 

Novo recorde de mortes

Com 1,3 bilhão de habitantes, a Índia registrou nesta quarta-feira (19) um novo recorde de mortes por Covid-19: 4.529 óbitos em 24 horas. No mesmo período, foram contabilizados 267.334 novos casos. Com isso, o balanço total da epidemia no país é de mais de 25 milhões de infecções e 283.248 mortos.

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