Irmã de francês preso no Irã diz que ele é "turista" que "caiu em armadilha"

Benjamin Brière está preso no nordeste no Irã, acusado de espionagem.
Benjamin Brière está preso no nordeste no Irã, acusado de espionagem. © DR

A irmã de Benjamin Brière, o francês detido há um ano no Irã, disse nesta segunda-feira (31) que está "chocada" com o anúncio de que seu irmão seria julgado por espionagem. De acordo com ela, ele é um "turista francês comum" que estaria sendo usado como moeda de troca em questões políticas.

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Benjamin Brière, preso desde maio de 2020, será julgado por "espionagem e propaganda contra o sistema político" da República Islâmica, segundo seu advogado, Saïd Dehghan. A acusação de espionagem no país pode resultar na pena de morte, enquanto a de propaganda contra o sistema pode resultar em penas de prisão de três meses a um ano. Brière está detido em Mashhad, no nordeste do país.  

O francês já era alvo de outras duas acusações que não foram confirmadas durante o inquérito: "corrupção na Terra", uma das mais graves do código penal iraniano, que pode ser punida com a pena de morte, e consumo de bebida alcoólica, castigada com uma pena de flagelação, segundo seu advogado. Brière, nascido em 1985, é acusado de espionagem por "fotografias em áreas proibidas" feitas com um drone em um parque natural do país, explicou Dehghan.

"Estamos chocados ao constatar as graves acusações que estão sendo feitas contra ele. O caso toma proporções que fogem do nosso controle e nos aterrorizam", declarou Blandine Brière. Segundo ela, seu irmão foi preso quando atravessava o país de van, como turista, durante uma longa viagem iniciada em 2018. "Não há dúvidas que a questão é outra, e isso foge totalmente do nosso controle. Ele caiu em uma armadilha. Benjamin não é um espião, é um cidadão francês comum, um turista que acabou no meio de um caso surreal", disse a francesa, pedindo que seu irmão "não se transforme em um refém de uma negociação qualquer."

Carta aberta para Macron

A jovem pôde conversar com ele quatro vezes em um ano. A última vez foi no domingo, dia 23 de maio. "Ele estava bem, na medida do possível. Eles são 13 em um dormitório, sem nenhuma intimidade. Ele está aprendendo o farci e trabalha com couro, isso o ajuda a não ceder, apesar de ele ter ideia da confusão em que se meteu", conta. "Ele foi submetido a vários interrogatórios, mas não foi maltratado. Foi o que nos disse", acrescentou. De acordo com ela, "todas as ligações são gravadas, traduzidas e detalhadas, então prestamos atenção."

De acordo com a irmã do francês detido, a cada dois meses ele tem direito a uma visita do consulado e pode ligar para o cônsul sem restrições. "Mas as autoridades francesas não têm nenhuma informação concreta para fornecer, para ele ou a família", declarou."Estamos com raiva, não temos nenhuma visibilidade. Guardamos o silêncio durante meses, como nos pediram, mas isso não é mais possível. Pedimos ajuda às autoridades francesas e queremos que alguém nos diga: estamos cuidando do caso, ele será liberado", acrescentou.    

Na semana passada, Blandine Brière escreveu uma carta aberta ao presidente Emmanuel Macron implorando que fosse colocado "um fim" nessa situação. O Irã mantém retidos mais de 10 portadores de passaportes ocidentais, a maioria deles com dupla nacionalidade, o que as ONGs condenam como uma política de tomada de reféns que visa obter concessões das potências estrangeiras.

Nos últimos anos, o Irã conseguiu várias trocas de prisioneiros com outros países e, atualmente, tenta reativar o acordo internacional de 2015 sobre seu programa nuclear, em negociações que têm a participação da França.

(Com informações da AFP)

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