Sri Lanka teme catástrofe ecológica sem precedentes após naufrágio de cargueiro

Navio MV X-Press Pearl, que está afundando aos poucos na costa do Sri Lanka, transporta centenas de toneladas de petróleo e dezenas contêineres de carga considerada perigosa.
Navio MV X-Press Pearl, que está afundando aos poucos na costa do Sri Lanka, transporta centenas de toneladas de petróleo e dezenas contêineres de carga considerada perigosa. AP

O Sri Lanka pediu ajuda à vizinha Índia para conter um eventual derramamento de petróleo após o naufrágio do navio cargueiro "MV X-Press Pearl", devastado por um incêndio que durou 13 dias perto do principal porto da capital Colombo. O país, que já havia solicitado apoio da Austrália, teme uma catástrofe ecológica incontrolável em caso de vazamento do carregamento estocado na embarcação.

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A X-Press Feeders, proprietária do navio, informou nesta quinta-feira (3) que o cargueiro estava afundando lentamente após uma tentativa fracassada de rebocá-lo na véspera. Em um comunicado oficial, a empresa confirmou que “a parte traseira da embarcação repousa no fundo do mar a uma profundidade de cerca de 21 metros”, enquanto a frente do navio desaparece aos poucos.

A embarcação de 31.600 toneladas e 186 metros de comprimento transporta centenas de toneladas de petróleo e dezenas contêineres de "carga perigosa", incluindo 25 toneladas de ácido nítrico. Segundo Indika de Silva, porta-voz da Marinha local, por enquanto não há sinais visíveis de vazamento das 350 toneladas de combustível contidas no navio. Mas autoridades temem que seu naufrágio despeje produtos químicos na costa do Sri Lanka, provocando um desastre ambiental nesse país conhecido por suas belezas naturais, mas também pelas infraestruturas precárias.

Toneladas de pequenos grânulos de plástico, destinados à indústria de embalagens, provenientes do carregamento do "MV X-Press Pearl", já cobrem cerca de 80 km da costa oeste da ilha. O país já qualifica o episódio de pior catástrofe ecológica de sua história.

Produtos dispersantes de petróleo e barreiras flutuantes estão prontos para responder imediatamente a qualquer sinal de vazamento. Mas as autoridades locais começam a mobilizar a comunidade internacional.

Danos incalculáveis

O governo pediu ajuda à Índia, cuja Guarda Costeira já havia participado das nas operações para extinguir o incêndio que eclodiu a bordo do navio em 20 de maio. O presidente do Sri Lanka, Gotabaya Rajapaksa, também pediu na segunda-feira (31) o apoio da Austrália para avaliar os danos ecológicos na ilha, que abriga uma das mais ricas biodiversidades do sul da Ásia.

O Centro para a Justiça Ambiental (CEJ) do Sri Lanka teme uma contaminação por metais pesados e um derramamento de petróleo. "Há uma sopa química nesta zona marítima. Os danos ao ecossistema marinho são incalculáveis", declarou o diretor do CEJ, Hemantha Withanage.

Pesca proibida

A pesca foi proibida na região. Segundo Denzil Fernando, chefe de uma associação de pescadores em Negombo, a medida "afeta 4.300 famílias” apenas na sua cidade. "A maioria das pessoas vive com uma refeição por dia. O governo deve autorizar a pesca ou nos pagar uma indenização", alertou.

As autoridades, que abriram uma investigação criminal sobre o incêndio e a contaminação, acreditam que o incêndio foi causado por um vazamento de ácido nítrico observado pela tripulação desde 11 de maio, muito antes de o navio entrar nas águas do Sri Lanka. Os três principais membros da tripulação, incluindo o capitão e o mecânico-chefe, ambos russos, terão que permanecer na ilha durante toda a investigação, informou a polícia. Seus passaportes foram confiscados na terça-feira (1°) por ordem de um tribunal.

(Com informações da AFP)

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