Israel prestes a virar a página da era Netanyahu

Yair Lapid (à esquerda) e Naftali Bennett (à direita) ilustram o momento de mudança na política israelense.
Yair Lapid (à esquerda) e Naftali Bennett (à direita) ilustram o momento de mudança na política israelense. © RFI/AP

Os doze anos de governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu terminarão, em princípio, na tarde deste domingo (13), após a posse do novo governo, a famosa "coalizão de mudança".

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O Knesset, Parlamento de Israel, decide um voto de confiança no governo liderado por Naftali Bennett. Sua coligação pela mudança é formada por oito partidos, numa das conjunções políticas mais ecléticas que o país já viu.

Essa coalizão heterogênea - reunindo dois partidos de esquerda, dois de centro, três de direita e uma formação árabe - alcançou a maioria necessária de 61 deputados, dos 120 parlamentares, para chegar a um acordo sobre um possível governo.

Porém, segundo uma pesquisa publicada por uma rede de televisão, 12,43% dos israelenses acreditam que o novo governo terá uma vida particularmente curta.

Algumas horas antes dessa votação crucial, as consultas continuavam e ainda não havia certeza de que a equipe receberia a confiança do Knesset. Desde a manhã deste domingo, pelo menos dois deputados da coalizão, um da extrema direita e outro do partido islâmico Raam, ameaçavam não votar pela confiança. Por outro lado, o Raam, a Lista Árabe Unida, poderia se abster e assim salvar a coalizão de uma derrota vergonhosa.

Adeus Bibi

Os oponentes do "rei Bibi", como é chamado Netanyahu, têm se manifestado há meses. Eles se reuniram novamente em Jerusalém, neste sábado (12). "Bibi, acabou", gritavam os manifestantes.

“Dizemos para ele sair, ir embora para muito longe e nos deixar. Não queremos nunca mais vê-lo”, afirmava a manifestante Sylvie Shapira, que há quase um ano e meio passa as noites de sábado em frente à residência de Benjamin Netanyahu. “Para nós, é como uma doença da qual vamos nos curar", acrescentou.

Sabine Smadja, que também participa regularmente dos protestos contra o primeiro-ministro, dizia não querer surpresas de última hora. “Até eu vê-lo saindo, não estarei à vontade”, diz ela. “Aparentemente, há todas as chances de o novo governo tomar posse. Mas sabemos como este homem é ardiloso e como ele está pronto para qualquer travessura," analisa.

Durante os dois primeiros anos, a nova coalizão será liderada por Naftali Bennett, o líder do partido de direita Yamina, e depois por Yaïr Lapid, por um período equivalente.

A sessão do Parlamento prevê que o centrista Lapid e o líder da direita radical, Bennett apresentem sua equipe antes dos discursos dos líderes partidários e do voto de confiança, esperado para acontecer entre 15h30 e 17h GMT (12h30 e 14h no horário de Brasília).

E a menos que haja uma reviravolta de última hora, a coalizão deve obter a bênção dos deputados, que destituirão do poder Benjamin Netanyahu, o chefe de governo que passou mais tempo no poder na história do país.

Investigado por corrupção  

Há mais de um ano enfrentando um julgamento por corrupção, Netanyahu, de 71 anos, foi novamente alvo de protestos na noite de sábado (12).

O partido de direita Likud de Netanyahu prometeu uma "transferência pacífica de poder", após mais de dois anos de crise política marcados por quatro votações que resultaram na incapacidade de formar um governo ou em um governo de unidade de curta duração.

Após as últimas eleições legislativas de março, a oposição se uniu contra Netanyahu e, numa manobra política extremamente rara, conseguiu reunir o partido árabe israelense Raam, do islâmico moderado Mansour Abbas.

"O governo trabalhará para toda a população - religiosa, secular, ultraortodoxa, árabe - sem exceção", prometeu Naftali Bennett, ex-aliado de Netanyahu.

"A população merece um governo responsável e eficiente, que coloque o bem do país no topo de suas prioridades", acrescentou Yaïr Lapid, que deve ser o chefe da diplomacia de Bennett.

 Assim que assumir o cargo, a nova coalizão enfrentará desafios urgentes, como a marcha planejada da extrema direita israelense em Jerusalém Oriental, um setor palestino ocupado por Israel.

O movimento islâmico Hamas, no poder no enclave palestino de Gaza, bloqueado por Israel, ameaçou retaliação se a marcha for realizada perto da praça das mesquitas.

(Com informações do correspondente da RFI em Jerusalém, Michel Paul, e da AFP)

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