Apesar da fragilidade do novo governo, alternância histórica em Israel traz esperança

A imprensa francesa desta segunda-feira (14) analisa a queda de Benjamin Natanyahu em Israel.
A imprensa francesa desta segunda-feira (14) analisa a queda de Benjamin Natanyahu em Israel. © Fotomontagem RFI

Os israelenses tomaram as ruas de Tel Aviv e Jerusalém na noite desse domingo (13) para festejar o fim dos 12 anos ininterruptos de Benjamin Netanyahu no poder. A queda do agora ex-primeiro-ministro conservador é analisada pela imprensa francesa desta segunda-feira (14).

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“Israel vira a página Netanyahu, afastado por uma coalizão heterogênea, frágil e improvável”, avalia Le Figaro. “A unidade entre os oito partidos que formam a coligação é cimentada unicamente pela vontade de se livrar de Netanyahu”, que passa a ser o líder da oposição, indica o jornal conservador.

O país será governado nos próximos dois anos por Naftali Bennet, do partido de direita radical, Yamina. Ele foi eleito por 60 votos contra 59 na Knesset, o parlamento israelense. Bennet lidera uma coligação que vai da extrema direita à esquerda. Quanto tempo a nova coalizão conseguirá se manter no poder?, questiona a imprensa francesa.

Alternância histórica

Os 12 anos de Netanyahu e do partido conservador Likoud no poder foram marcados por uma guinada radical do país à direita, escreve Libération. Por isso, apesar da fragilidade do novo governo israelense, a alternância histórica traz esperança. “O fim de uma era que exacerbou as tensões na região”, acredita o jornal.

O editorialista do diário progressista, afirma que nunca, nem mesmo nos sonhos mais loucos, pensou que escreveria nas páginas do jornal seu alívio com a possibilidade de o líder do partido dos colonos, Naftali Bennet, ser o primeiro-ministro de Israel. Os assentamentos judaicos ­- um mal que não para de minar Israel e a Cisjordânia, oprimindo os palestinos, impedindo a criação de dois Estados e mantendo uma situação de guerra permanente - devem continuar a ser denunciados, mas a nomeação de Bennet tem três vantagens, diz o texto.

Antes de mais nada, ela marca a saída de Netanyahu, que reinou pelo medo, deteriorou a imagem internacional de Israel e enterrou a cada dia que passava a perspetiva de paz no Oriente Médio.

Segunda vantagem, a situação fica mais clara com a chegada de Bennet ao poder, isto é, se sabe quem ele é e qual é o objetivo do novo primeiro-ministro israelense, mas se sabe também que sua margem de manobra é muito pequena. A paralisia nunca é uma boa coisa em política, mas em Israel ela vai impedir decisões catastróficas, antecipa o editorial. 

Enfim, o novo governo israelense marca o afastamento dos ultraortodoxos e a volta da esquerda ao poder. É verdade que é uma esquerda fragilizada, que fez compromissos inaceitáveis no passado, principalmente sobre a colonização, mas quem sabe? No atual estágio da política israelense tudo é possível, espera Libération.

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