Irã: em último dia de campanha, dois candidatos deixam a disputa presidencial

Apoiadores do candidato presidencial iraniano Ebrahim Raisi nas ruas de Teerã em 14 de junho de 2021.
Apoiadores do candidato presidencial iraniano Ebrahim Raisi nas ruas de Teerã em 14 de junho de 2021. ATTA KENARE AFP

Nesta quarta-feira (16), dois candidatos à eleição presidencial do Irã anunciaram que estavam deixando a disputa: Mohsen Mehralizadeh, um dos aspirantes reformistas, e o deputado Alireza Zakani, um dos cinco ultraconservadores, que pediu votos para o favorito Ebrahim Raisi. Os iranianos comparecerão às urnas na próxima sexta-feira (18), em uma eleição sem grandes surpresas, na qual os conservadores devem consolidar o poder com a provável vitória de Raisi.

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A expectativa neste pleito é de uma elevada taxa de abstenção. A votação acontecerá em um cenário de crise econômica e social, exacerbada pela pandemia da Covid-19, que afetou duramente o país de 83 milhões de habitantes. Segundo dados oficiais, foram registradas mais de 82.000 mortes e 3 milhões de contágios por coronavírus, mas as próprias autoridades admitem uma subnotificação.

Sete candidatos foram autorizados a disputar a 13ª eleição presidencial desde a Revolução de 1979: cinco ultraconservadores e dois reformistas.

O presidente da República Islâmica tem prerrogativas limitadas no Irã, onde a maior parte do poder está nas mãos do guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Após dois mandatos consecutivos de quatro anos, o moderado Hassan Rohani não pode disputar uma nova eleição. Sua presidência ficará marcada pelo fracasso da política de abertura, que estagnou quando os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, saíram em 2018 do acordo internacional sobre o programa nuclear de Teerã. O pacto havia sido assinado três anos antes em Viena.

Campanha discreta e debates tediosos

Dois dias antes da votação, o presidente da Autoridade Judicial, Ebrahim Raisi, de 60 anos, aparece como o grande favorito, quando considerados os 38% de votos recebidos nas eleições de 2017 e a ausência de um adversário de peso.

As eleições podem ser marcadas por uma forte abstenção, inclusive superior ao recorde de 57% das legislativas de 2020. Elas foram vencidas por uma grande coalizão conservadora, depois que as candidaturas de milhares de reformistas ou moderados foram desclassificadas.

A campanha eleitoral, que termina nesta quarta-feira (16) e durou três semanas, foi muito discreta. A crise sanitária foi parcialmente responsável, ao limitar as reuniões públicas. Em geral, no entanto, as eleições presidenciais geram pouco entusiasmo na população.

Os três debates entre candidatos exibidos na televisão foram considerados tediosos pela imprensa. Raisi foi o único que conseguiu reunir um número de simpatizantes considerável nos comícios, mas sua campanha violou as regras sanitárias em vigor pela pandemia – o que lhe rendeu críticas.

A insatisfação e o desencanto geral são palpáveis em um país abalado por uma grave crise econômica provocada pelo retorno das sanções impostas por Washington ao abandonar o acordo nuclear, e agora amplificada pela pandemia.

O descontentamento da população foi evidenciado nos protestos do fim de 2017 e início de 2018, e novamente em novembro de 2019, todos reprimidos com violência.

Reativar o acordo nuclear

Além dos Estados Unidos, os signatários do acordo nuclear foram Reino Unido, China, França, Alemanha e Rússia. Todos os candidatos se declararam dispostos a seguir adiante com as negociações em curso para reativar o acordo nuclear e conseguir a suspensão das sanções americanas. Também prometeram enfrentar o elevado índice de desemprego e a inflação galopante.

Para Clément Therme, pesquisador associado do Instituto Universitário Europeu de Florença (Itália), o objetivo das eleições é "dar ao regime mais coerência diante do enfraquecimento do país".

"Com o empobrecimento da população, trata-se, após a conquista do controle do Parlamento em 2020, de preparar o terreno para a vitória do candidato Raisi", próximo a Khamenei, disse Therme.

Diante dos pedidos de boicote às eleições feitos nas redes sociais a partir do exterior, Khamenei pediu aos compatriotas que não façam o jogo dos "inimigos do islã" e compareçam às urnas em 18 de junho. O guia supremo também ordenou aos candidatos que falem apenas sobre a economia.

Além de Raisi, o lado ultraconservador também tem Mohsen Rezai, ex-comandante da Guarda Revolucionária, o braço ideológico do regime iraniano. Ele perdeu as eleições presidenciais de 2009 e 2013 e desistiu em 2005, a poucos dias da votação.

Também aspira à presidência Said Jalili, ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e candidato em 2013. À época, recebeu 11,4% dos votos e ficou em terceiro lugar, à frente justamente de Rezai (10,6%).

O outro candidato ultraconservador é Amirhossein Ghazizadeh-Hashemi, relativamente desconhecido do eleitorado, assim como o reformista e ex-presidente do Banco Central Abdolnasser Hemmati. Diante desse panorama, a vitória de Raisi parece um fato consumado.

Um segundo turno acontecerá em 25 de junho entre os dois candidatos mais votados, caso nenhum deles consiga a maioria absoluta na votação desta sexta-feira. Além do presidente da República, os iranianos votarão em 18 de junho para renovar as câmaras municipais.

(Com informações da AFP)

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