Putin “não quer Guerra Fria com EUA”, diz Biden após encontro com presidente russo

Joe Biden e Vladimir Putin (d) durante primeiro encontro em Genebra.
Joe Biden e Vladimir Putin (d) durante primeiro encontro em Genebra. REUTERS - KEVIN LAMARQUE

Os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da Rússia, Vladimir Putin, participaram nesta quarta-feira (16) de uma esperada reunião bilateral. O encontro realizado em Genebra acontece em um contexto de forte tensão entre os dois países. Mesmo se a conversa tenha sido mais curta do que o previsto, os chefes de Estado concordaram em avançar sobre a questão dos ataques cibernéticos, tema sensível em razão das acusações mútuas entre Washington e Moscou.  

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Os organizadores da reunião bilateral anunciaram um encontro de cerca de 5 horas de duração. Mas às 17h05 (12h05 de Brasília), apenas 3h30 após o primeiro aperto de mão protocolar entre os dois chefes de Estado diante da Villa La Grange, às margens do Lago Leman, cada um foi para o seu lado. Os presidentes, aliás, evitaram a tradicional entrevista coletiva conjunta e cada um preferiu dar, individualmente, sua própria versão do encontro.

Apesar dos risos descontraídos dos dois líderes diante dos fotógrafos e cinegrafistas que imortalizavam os primeiros momentos do cara a cara, a reunião acontece em um momento de tensão extrema entre Putin e Biden. Desde que assumiu o poder, o presidente dos Estados Unidos adotou um tom firme em relação ao russo, para deixar clara a diferença com seu antecessor, Donald Trump.

Em março passado, o chefe da Casa Branca chegou a insinuar que Putin seria um assassino. Já Putin disse, antes da reunião, esperar que Biden seja menos impulsivo que Trump.

Ataques cibernéticos

Na mesa de discussões havia um menu repleto de temas polêmicos, como as relações de Moscou com a Ucrânia e Belarus. Mas o assunto mais delicado era, certamente, a questão das denúncias de ataques cibernéticos e de ingerência eleitoral que teriam sido orquestrados pela Rússia nos Estados Unidos.

Segundo Putin, as conversas foram “construtivas”, não houve “nenhuma animosidade” durante as discussões e os dois campos mostraram o desejo de se entenderem, mutualmente.

Ainda de acordo com o chefe de Kremlin, os dois países se disseram dispostos a avançar nas consultas sobre a questão da segurança cibernética. Mas ele insistiu que, atualmente, a maior parte dos ataques virtuais visando a Rússia são lançados pelos Estados Unidos.

Já Biden, em sua coletiva para a imprensa após a reunião, disse que o encontro foi “positivo” e "sem tensões", apesar das divergências. “Putin não busca uma Guerra Fria com os Estados Unidos”, insistiu o líder norte-americano.

No entanto, Biden alertou Putin sobre qualquer interferência nas eleições norte-americanas, além de frisar durante a conversa que algumas infraestruturas devem ser protegidas de qualquer tipo de ataque, cibernético ou não. “Dei para ele uma lista de 16 entidades específicas, que vão desde o setor de energia aos sistemas de distribuição de água”, disse Biden.

Questionado sobre as relações comerciais entre Washington e Moscou, apesar das divergências, Biden foi categórico: “Não tenho nenhum problema em fazer negócios com a Rússia, com a condição de que respeitem as normas internacionais”.

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