Começa processo de 1° ativista pró-democracia acusado pela Lei de Segurança Nacional de Hong Kong

O ativista Tong Ying- Kit antes de um primeiro comparecimento  ao tribunal de Hong Kong, em 6 de julho de 2020.
O ativista Tong Ying- Kit antes de um primeiro comparecimento ao tribunal de Hong Kong, em 6 de julho de 2020. AP - Vincent Yu

O réu é um jovem de 24 anos. O julgamento começou nesta quarta-feira (23) na Alta Corte de Hong Kong e é o primeiro sob a égide da nova Lei de Segurança Nacional, que entrou em vigor em julho de 2020. Pela primeira vez na história da justiça do território chinês, não haverá júri no processo, como pediu o ministro da Justiça.

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Por Florence de Changy, correspondente da RFI em Hong Kong

Todo mundo em Hong Kong se lembra das imagens que viralizaram nas redes sociais em 1° de julho de 2020. O território semiautônomo chinês acordava sob o impacto da entrada em vigor da nova Lei de Segurança Nacional (LSN), às 23h do dia anterior. Em sinal de protesto, Tong Ying-Kit se lançou com sua moto contra um grupo de policiais. Em suas costas, uma grande bandeira preta flutuava com os dizeres “Libertem Hong Kong; a revolução de nossos tempos”, que era um dos slogans da revolta pró-democracia do verão de 2019 na região administrativa especial chinesa.

Terrorismo e secessão

O jovem foi o primeiro cidadão de Hong Kong a ser detido e indiciado pela LSN. Ele é acusado de terrorismo e incitação à secessão, mas também de ter provocado ferimentos graves com sua motocicleta.

Tong Ying-Kit está detido provisoriamente há um ano apesar de um pedido de habeas corpus feito por seus advogados. A defesa também viu recusado o recurso contra a decisão de o julgamento acontecer sem jurados. Apenas três juízes considerados habilitados pela chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, julgarão o processo. A sentença só será conhecida no final do julgamento que dever durar ao menos três semanas.

Fim de jornal pró-democracia

Jornal pró-democracia de Hong Kong, Apple Daily anunciou nesta quarta-feira que seu último número será publicado na quinta-feira (24). A notícia é confirmada menos de uma semana depois do congelamento de seus ativos pelas autoridades e da detenção de vários de seus diretores.

"O Apple Daily decidiu que o jornal encerrará suas atividades a partir de meia-noite e que 24 de junho será o último dia de publicação", afirma o jornal no site oficial, que também deixará de ser atualizado a partir de meia-noite.

O diário apoiou durante anos o movimento pró-democracia e nunca parou de criticar abertamente as autoridades chinesas. Pequim sempre tentou censurar a publicação e utilizou a Lei de Segurança Nacional para minar o trabalho do Apple Daily.

(Com informações da AFP e RFI)

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