Avanço dos talibãs no Afeganistão leva soldados a fugirem para o Tadjiquistão

Soldados afegãos na base militar de Bagram, após a retirada das tropas americanas do local.
Soldados afegãos na base militar de Bagram, após a retirada das tropas americanas do local. AFP - WAKIL KOHSAR

Os talibãs continuam a ganhar terreno no Afeganistão. Eles se aproveitam do espaço deixado pelas tropas internacionais que prosseguem sua retirada que será total até 11 de setembro. No norte do país, os insurgentes lançaram várias ofensivas nas últimas semanas. Para escapar de um ataque, centenas de soldados afegãos fugiram para o vizinho Tadjiquistão na madrugada de segunda-feira (5).

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Por Sonia Ghezzali, correspondente da RFI em Cabul

Os talibãs mantêm a pressão contra as forças de segurança afegãs na província montanhosa do Badajiquistão, vizinha ao Tadjiquistão. Os ataques se multiplicam e as autoridades afegãs ainda controlam a capital regional, mas enfrentam dificuldades em conter o avanço dos rebeldes. Os distritos da província parecem cair como uma fileira de dominós nas mãos dos talibãs.

Os insurgentes começaram a adotar uma estratégia infalível para obrigar as forças afegãs a não resistir. Eles enviam delegações de líderes comunitários tradicionais, chamados de “barbas brancas”, para convencer os soldados a abandonar sues postos, deixando suas armas para trás. A estratégia tem dado certo em vários distritos do país, particularmente no Badajiquistão no último final de semana.

As vitórias militares dos talibãs, que postam regularmente vídeos nas redes sociais de seus combatentes desfilando nas cidades e vilarejos conquistados, representam um golpe na determinação das tropas afegãs. Em menos de três meses e a retirada definitiva das tropas internacionais, os militares do país, equipados com um material inadaptado, terão que enfrentar sozinhos os insurgentes.

Atmosfera pesada em Cabul

Em Cabul, que é um espelho do resto do país, grande parte da população está pessimista e aguarda com fatalismo e terror a volta dos talibãs. O clima na capital afegã é de muita tristeza. A expressão das pessoas nas ruas é carregada, os moradores parecem preocupados, abatidos, apavorados.

Há várias semanas, a cada encontro ou entrevista para uma reportagem realizada pela RFI, os afegãos ressaltam assustados que os talibãs já estão muito próximos de Cabul, prestes a entrar na cidade. Os moradores dizem que se os insurgentes voltarem a ocupar a capital, eles vão impor a sua visão do mundo, sua interpretação do Islã.

A concepção da sociedade do grupo talibã, que comandou o Afeganistão de 1996 a 2001, é muito distante da vida em boa parte do país. Nas principais cidades afegãs, homens e mulheres trabalham juntos no mesmo escritório e se encontram em bares e restaurantes mistos.

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