Covid-19: Pfizer defende aplicação de 3ª dose da vacina para reforçar eficácia

Um farmacêutico enche uma seringa com a vacina contra o coronavírus da Pfizer-BioNTech em um centro de vacinação em Worcester, Massachusetts, em 22 de abril de 2021, no nordeste dos Estados Unidos.
Um farmacêutico enche uma seringa com a vacina contra o coronavírus da Pfizer-BioNTech em um centro de vacinação em Worcester, Massachusetts, em 22 de abril de 2021, no nordeste dos Estados Unidos. Joseph Prezioso AFP/Archivos

Os laboratórios Pfizer e BioNTech anunciaram na quinta-feira (8) que buscarão autorização para uma terceira dose de sua vacina anticovid com o objetivo de aumentar a eficácia contra novas cepas, num contexto onde a variante Delta causa surtos devastadores na África e na Ásia, além de provocar uma aceleração de casos na Europa e nos Estados Unidos.

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A Pfizer e a BioNTech disseram que uma terceira dose terá um bom desempenho contra a variante Delta e que em breve buscarão autorização para o reforço da vacina nos Estados Unidos, Europa e outras regiões do globo.

O primeiro-ministro da França, Jean Castex, afirmou que a parcela da população que será contemplada primeiro por essa terceira dose seria “sem dúvida, os mais vulneráveis [imunodepressivos, portadores de comorbidades importantes ou pessoas mais velhas], seja porque são mais frágeis, ​​ou seja porque a vacinação destas categorias foi feita mais cedo. Vamos precisar de uma terceira dose porque as defesas imunitárias estariam enfraquecendo”, explicou durante um pronunciamento no Congresso anual de Cidades da França, na quinta-feira.

Dados preliminares de um ensaio em andamento mostraram que esta eventual terceira dose aumentaria os níveis de anticorpos entre cinco a dez vezes mais contra a cepa original do coronavírus e contra a variante Beta, encontrada pela primeira vez na África do Sul, em comparação com as duas primeiras doses, de acordo com as empresas.

Os laboratórios também afirmaram que a dose de reforço atuará de forma semelhante contra a variante Delta, mas que também desenvolverão uma vacina específica contra essa linhagem. As autoridades norte-americanas disseram que ainda estão avaliando a necessidade da terceira dose.

"Os norte-americanos que foram totalmente vacinados [duas doses] não precisam de reforço neste momento", disseram as agências de saúde. "Estamos preparados para a eventualidade de doses de reforço, sempre e quando a ciência demonstrar que são necessárias."

Ainda segundo os laboratórios, “se a proteção contra os casos graves da doença permanecer elevada por seis meses” com as duas primeiras doses, “espera-se um declínio na sua eficácia contra os casos sintomáticos com o tempo e com o surgimento de variantes”. A Pfizer e a BioNTech "esperam que uma terceira dose aumente ainda mais os anticorpos".

Resultados preliminares de pesquisadores da Universidade de Oxford também demonstraram, no final de junho, que a dose de reforço da vacina da AstraZeneca causou "um aumento acentuado na resposta imunológica" contra as variantes Alfa, Beta e Delta.

Outro estudo publicado em 28 de junho na revista Nature demonstrou que os efeitos desencadeados pelas vacinas de RNA mensageiro da Pfizer-BioNTech e Moderna podem funcionar por vários anos ou até mais contra a Covid-19, se o vírus não sofrer muitas mutações, sublinhou o jornal The New York Times.

185 milhões de infecções

Quase 16 meses depois de uma pandemia que abalou o mundo inteiro, mais de 185 milhões de infecções se acumulam, segundo balanços oficiais que, na opinião da OMS, podem ser bem inferiores à realidade.

A média diária de óbitos na última semana foi de 7.870 e esse número continua diminuindo aos poucos. A quantidade de mortos está longe dos 13.700 por dia registrados no final de abril e início de maio.

No entanto, novas infecções estão se acelerando após quase dois meses de declínio (405.000 em média diariamente, + 9% semana a semana) devido a picos em países como o Reino Unido, Indonésia e Rússia, duramente atingidos pela variante Delta.

No hospital Mariinskaia, na cidade russa de São Petersburgo, a "zona vermelha" para pacientes com Covid-19 tem quase todos os seus 760 leitos ocupados. Em apenas meia hora na UTI, os corpos de dois pacientes foram removidos em sacos mortuários pretos.

A variante Delta faz o mundo reconsiderar a flexibilização das restrições aplicadas na União Europeia, graças ao avanço da vacinação. A França recomendou aos seus cidadãos que não viajassem no verão para Portugal e Espanha, onde esta variante dissemina infecções entre a população jovem não vacinada.

Na América Latina e no Caribe, a região do mundo com o maior número de mortes pelo vírus, com quase 1,3 milhão de vítimas, os esforços continuam para acelerar a imunização.

Haverá doses suficientes para todos?

Esta questão surgirá se uma terceira dose for considerada necessária para uma população maior do que a prevista atualmente. Questionado pela RFI, Jean-Daniel Lelièvre, chefe do departamento de imunologia clínica e doenças infecciosas do hospital Henri-Mondor em Créteil, na região parisiense, acredita que "apesar do que a Moderna e a Pfizer dizem, elas não terão vacinas suficientes para cobrir todo o planeta com uma terceira dose se, em última instância, esta for considerada necessária”.

A combinação de vacinas, caso seja certificada como eficaz pelos pesquisadores, pode se tornar uma solução. “Se você tem exatamente a mesma eficácia fazendo duas doses da Pfizer e um complemento com uma vacina proteica, como imaginamos, você aumenta as chances de ter uma vacinação eficaz em qualquer tipo de contexto”, destacou Jean-Daniel Lelièvre.

A ministra da Indústria da França, Agnès Pannier-Runacher, expressou recentemente sua esperança sobre a vacina da Sanofi, anunciada para dezembro. Esta “poderá ser a terceira dose de vacina a ser tomada na França, um reforço para a população que já teria sido vacinada com duas doses nesta altura”. “Essas pessoas também poderiam escolher entre diferentes vacinas”, explicou.

(Com informações da AFP e FranceInfo)

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