China enfrenta chuvas históricas com mais de uma dezena de mortos

Imagens mostram o resgate dramático de pedestres nas ruas alagadas de Zhengzhou, após as fortes chuvas que atingem a região central da China.
Imagens mostram o resgate dramático de pedestres nas ruas alagadas de Zhengzhou, após as fortes chuvas que atingem a região central da China. STR AFP

Vastas extensões da província chinesa de Henan, no centro do país, amanheceram submersas nesta quarta-feira (21). A capital regional Zhengzhou foi a área mais afetada pelo que os meteorologistas consideram ser as chuvas mais fortes em 60 anos, desde o início das medições pluviais.

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Na cidade com mais de 12 milhões de habitantes, às margens do rio Amarelo, quase 200.000 residentes foram evacuados, de acordo com as autoridades chinesas. Muitos serviços ferroviários foram suspensos, rodovias estão fechadas, assim como voos atrasaram ou foram ​​cancelados.

As inundações são "extremamente graves", afirmou o presidente Xi Jinping.

No episódio mais crítico, 12 pessoas morreram quando uma linha de metrô foi inundada. Os relatos dão conta de que a água subiu rapidamente, enquanto os passageiros tentavam se segurar dentro dos vagões. Vídeos publicados nas redes sociais, cuja autenticidade não pôde ser verificada, mostram passageiros agarrados o quanto podiam, com água praticamente no pescoço, e outros de pé sobre os assentos. Um passageiro contou à rede Weibo que os socorristas abriram o teto do vagão em que ele estava para facilitar a retirada das pessoas. Outras imagens mostram um homem sentado no teto de um vagão parcialmente submerso pela água, em um túnel.

As fortes chuvas atingem a província de Henan desde o último fim de semana. A estação chuvosa tem sido excepcionalmente ativa, o que resultou no rápido aumento do volume de vários afluentes da vasta bacia do rio Amarelo. A ameaça aumentou nos últimos anos, devido à construção de barragens ou desvios do leito de rios que, muitas vezes, cortam as ligações existentes entre os rios e os lagos adjacentes.

Entre a noite de sábado (17) e a noite de terça-feira (20), 617,1 milímetros de chuva caíram em Zhengzhou, quase a média anual para a cidade (640,8 mm). De acordo com os meteorologistas, os níveis de precipitação observados em Zhengzhou durante esses três dias só foram constatados "uma vez em mil anos".

A metrópole situada a cerca de 700 km de Pequim decretou alerta vermelho, nível máximo de risco para a meteorologia na China. A emissora nacional CCTV mostrou as ruas inundadas da cidade, enquanto moradores empurravam seus carros com água na altura do joelho.

De acordo com o "Diário do Povo", a chuva causou o desabamento de casas. Uma pessoa morreu e duas estão desaparecidas. A imprensa local noticiou a morte de outras duas pessoas após a queda de um muro.

Barragens em alerta

Dezenas de reservatórios e barragens ultrapassaram os níveis de alerta. Em Zhengzhou, as autoridades detectaram que uma fissura foi no reservatório de Guojiazui.

Além disso, de acordo com as autoridades chinesas, a forte precipitação causou uma ruptura de 20 metros na barragem de Yihetan, na cidade de Luoyang, de 7 milhões de habitantes, a oeste de Zhengzhou. De acordo com o relato oficial, a estrutura "pode desabar a qualquer momento". Soldados foram enviados ao local para realizar uma operação de emergência, que inclui dinamitar e desviar a água acumulada pelas enchentes.

Dados provisórios indicam a morte de pelo menos 16 pessoas nas enchentes. De acordo com as previsões meteorológicas, as fortes chuvas devem continuar nesta quarta-feira e pelos próximos três dias na região.

 

(Com informações da AFP)

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