Após tensão em Tóquio e obtenção de visto humanitário, atleta olímpica de Belarus desembarca na Polônia

Opositor Pavel Latushka posa ao lado de Krystsina Tsimanouskaya logo após o desembarque da atleta em Varsóvia.
Opositor Pavel Latushka posa ao lado de Krystsina Tsimanouskaya logo após o desembarque da atleta em Varsóvia. via REUTERS - TWITTER/@PavelLatushka

A velocista de Belarus Krystsina Tsimanouskaya, que deixou os Jogos de Tóquio precipitadamente devido a um conflito com autoridades esportivas de seu país, desembarcou na noite desta quarta-feira (4) na Polônia. Varsóvia lhe concedeu um visto humanitário após a jovem ter dito que temia represálias do governo bielorrusso.

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O avião em que viajava a atleta olímpica aterrissou no final do dia em Varsóvia. Ameaçada de ser repatriada à força para Belarus após ter criticado a federação de atletismo do seu país durante os Jogos Olímpicos no Japão, a atleta deveria ter embarcado em um voo direto entre Tóquio e a capital polonesa, mas mudou o trajeto na última hora e fez escala em Viena.

Durante sua escada, ela se encontrou rapidamente com o secretário de Estado austríaco, Magnus Brunner. Segundo ele, a jovem “está bem, dadas as circunstâncias. Naturalmente, preocupa-se com sua família. Está cansada e tensa, após os acontecimentos dos últimos dias".

No início da noite, o vice-ministro polonês das Relações Exteriores, Marcin Przydacz confirmou que Tsimanouskaya “aterrissou sem problemas em Varsóvia”. Ao desembarcar, a jovem não saiu pelo terminal habitual de passageiros. 

Ainda no aeroporto polonês ela se encontrou com o opositor bielorrusso Pavel Latushka, que tuitou: “Esperamos que a agonia desse regime acabará logo e que Krystsina poderá voltar para novas conquistas esportivas em um novo Belarus”.

O caso de Tsimanouskaya monopolizou o noticiário europeu esta semana. A atleta denunciou no domingo (1°) que foi forçada a suspender sua participação nas Olimpíadas de Tóquio e deixar o Japão, após criticar sua federação nas redes sociais. “Peço ajuda ao Comitê Olímpico Internacional, fui pressionada e eles estão tentando me tirar do país sem meu consentimento”, revelou em um vídeo no Instagram.

Vários países ofereceram asilo

Tsimanuskaya foi em seguida levada para o aeroporto de Tóquio, mas se recusou a entrar no avião, temendo ser presa pelas autoridades ao desembarcar em seu país. Diante do apelo, o governo polonês, mas também da República Tcheca e da Eslováquia, ofereceram refúgio à atleta. 

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que irá investigar a equipe da Belarus pelo incidente, enquanto ativistas pediram a suspensão do comitê olímpico do país.

A atleta foi uma das mais de 2.000 personalidades esportivas bielorrussas que assinaram uma carta aberta pedindo novas eleições e a libertação dos presos políticos. Seu marido fugiu para a Ucrânia, mas o casal deve se reunir na Polônia.

Desde que Alexander Lukashenko foi reeleito, em agosto de 2020, em um pleito contestado pela comunidade internacional, o governo polonês, que critica o líder bielorrusso, facilitou a concessão de vistos para os bielorrussos.

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