Variante "Mi" do coronavírus preocupa OMS pelo risco de resistência a vacinas

A variante "Mµ" do coronavírus avança na Colômbia, onde foi descoberta em janeiro, e no Equador.
A variante "Mµ" do coronavírus avança na Colômbia, onde foi descoberta em janeiro, e no Equador. JOAQUIN SARMIENTO AFP/File

Uma nova variante do coronavírus, denominada "Mi", a décima segunda letra do alfabeto grego, preocupa a Organização Mundial da Saúde (OMS). A nova cepa foi identificada pela primeira vez na Colômbia, em janeiro. Por enquanto, a B.1.621, segundo a nomenclatura científica, é classificada como uma "variante que deve ser monitorada", indicou a OMS em seu boletim epidemiológico semanal, divulgado na noite de terça-feira (31).

Publicidade

A variante descoberta na Colômbia tem mutações que podem gerar resistência às vacinas atualmente disponíveis contra a Covid-19. Mais estudos serão necessários para entender suas características, explicou a organização. Desde que surgiu no início do ano, ela já foi identificada em outros países da América do Sul e da Europa.

O jornal francês Le Parisien dedica uma reportagem à nova variante nesta quarta-feira (1). "O nome Mi pode parecer engraçado, lembrando mais um personagem gentil de um desenho animado do que uma variante perigosa do coronavírus, mas não devemos nos enganar", previne o diário.

Sua incidência mundial está em queda e é hoje inferior a 0,1%, mas sua ocorrência em dois países da América do Sul registra alta constante, o que preocupa a OMS. A Mi representa hoje 39% dos casos na Colômbia e 13% no Equador.  O aparecimento preocupante desta cepa acontece no momento em que a quarta onda da Covid-19 parece ter se estabilizado na França e que a União Europeia comemora o índice de 70% de adultos completamente vacinados no bloco.

"Temos que ficar atentos às novas variantes. A pandemia nao acabou em nível mundial", advertiu o especialista francês Gilbert Deray, citado pelo Le Parisien. Segundo ele, "enquanto a pandemia não for controlada, não estaremos protegidos".

O jornal Le Figaro questiona se a França está realmente prestes a sair da crise sanitária. Apesar da forte circulação da variante delta no país, a vacinação de quase 50 milhões de franceses evitou a saturação nos hospitais. Mas a situação ainda é fragil, previne o jornal conservador.

Monitoramento da OMS

A imprensa francesa lembra que todos os vírus, incluindo o SARS-CoV-2, que provoca a Covid-19, sofrem mutações com o tempo. A maioria delas tem pouco ou nenhum impacto nas características do vírus. No entanto, algumas modificações podem afetar as propriedades do microorganismo e influenciar, por exemplo, sua capacidade de propagação, a gravidade da doença que causa ou a eficácia de vacinas, medicamentos ou outras medidas para combatê-la.

Com o surgimento em 2020 de variantes que apresentavam um risco maior para a saúde pública global, a OMS passou a caracterizar as mutações que deveriam ser monitoradas ou consideradas  "preocupantes", a fim de priorizar as atividades de vigilância e pesquisa em todo o mundo.

A entidade adotou as letras do alfabeto grego para nomear as variantes e, assim, facilitar sua identificação para o público leigo, evitando a estigmatização associada ao país de origem. Quatro variantes foram classificadas até agora pela OMS como "preocupantes", entre elas a Alfa e a Delta. Outras cinco, como a Mi, estão na categoria que exigem vigilância.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe todas as notícias internacionais baixando o aplicativo da RFI