Partidos influenciam campanha de vacinação na Alemanha, aponta diário francês

A imprensa francesa destaca a influência dos partidos na Alemanha sobre a decisão dos eleitores de se vacinarem.
A imprensa francesa destaca a influência dos partidos na Alemanha sobre a decisão dos eleitores de se vacinarem. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

As preferências políticas influenciam a taxa de vacinação? Duas semanas antes das eleições federais na Alemanha e em meio à estagnação da taxa de vacinação, a questão surge cada vez mais forte no país, destaca o jornal francês La Croix.

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“Se não conseguirmos aumentar drasticamente o número de vacinados, a atual quarta onda pode experimentar uma ascensão meteórica”, prevê Lothar Wieler, diretor do Instituto de Saúde Robert Koch. Apenas 61,7% da população alemã está duplamente vacinada, longe da meta declarada de 85% entre os maiores de 12 anos, afirma o jornal francês.

Enquanto a maioria dos partidos políticos convoca seus eleitores para convencerem os relutantes ao seu redor a se vacinarem, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) segue na contramão. Depois de uma longa busca para definir uma linha clara – inicialmente a sigla criticava a lentidão dos primeiros meses da campanha de vacinação –, o partido se recusa a fazer campanha pela vacina e clama pela "responsabilidade de todos". Acusando o Estado de "limitar as liberdades de seus cidadãos", o AfD critica uma política de "vacinação forçada " e se opõe ao fim dos testes gratuitos a partir de 11 de outubro.

O fato é que o próprio AfD está dividido sobre o assunto, destaca o diário francês. Jorg Meuthen, representante da ala mais moderada, se diz a favor da vacina, enquanto a chefe da lista federal do AfD, Alice Weidel, se mostra contrária. Steffen Kubizcki, deputado em Brandenburg, revela: “Na minha família, discutimos sobre o assunto. Não estou vacinado e não quero estar. Mas todos assumem a responsabilidade por suas ações”, explica ele.

Neste contexto, a questão de uma ligação entre a postura defendida pelo AfD e uma baixa taxa de vacinação é controversa. Para o deputado democrata-cristão Marco Wanderwitz, responsável pelas regiões orientais no governo federal, a ligação é óbvia: “A grande maioria dos executivos do AfD é hostil à vacinação e às medidas para conter o coronavírus. Como resultado, o eleitor médio do AfD não é vacinado ”, declarou ele recentemente.

As estatísticas confirmam parcialmente essa afirmação, descreve o texto. As cinco regiões orientais, os redutos do AfD, estão na lanterna da imunização, com a Saxônia no último lugar, com apenas 52,7% das pessoas duplamente vacinadas.

Ministro “sem partido”

O ministro da Saúde, Jens Spahn, prefere não “tomar partido” e atribui à decisão de se vacinar, ou não, a diferenças regionais, mas também entre homens e mulheres e entre pessoas de origem estrangeira ou não. Além disso, são as cidades do oeste do país, sem um eleitorado populista forte, que apresentam atualmente a maioria dos casos de Covid-19.

Se a AfD faz a diferença nesta questão, o tema não é muito mobilizador a nível nacional. Com cerca de 12% das intenções de voto, pouco mais de duas semanas antes das eleições federais, o partido pode não se sair tão bem neste pleito quanto nas eleições de 2017, principalmente por seus conflitos internos, pela tendência da sigla para a extrema direita, além da ausência de uma crise migratória, tema sobre o qual o partido tirou grande proveito há quatro anos, lembra o jornal La Croix.

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