Rússia inicia eleições legislativas; oposição denuncia influência do Kremlin

Rússia começa a votar em eleições legislativas com oposição distanciada
Rússia começa a votar em eleições legislativas com oposição distanciada REUTERS - SERGEY PIVOVAROV

O movimento liderado pelo oponente russo Alexei Navalny, detido desde janeiro, acusou o Google e a Apple na sexta-feira (17) de terem cedido às pressões do Kremlin, ao removerem o aplicativo de celular que permite organizar o voto contra o partido do presidente Vladimir Putin, no primeiro dia das eleições legislativas na Rússia. A maior parte dos opositores não puderam se candidatar.

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Como na Rússia há 11 fusos horários, as eleições começaram primeiro nas remotas regiões orientais de Kamtchatka e Chukotka, próximas ao Alasca, onde as seções abriram às 8h locais de sexta-feira (17h de quinta-feira em Brasília). As eleições serão realizadas até domingo.

“Hoje, às 08h (hora da Rússia, 05h GMT), Google e Apple retiraram nosso aplicativo Navalny de suas lojas de aplicativos. Ou seja, eles cederam à chantagem do Kremlin”, denunciou Leonid Volkov, um oficial da oposição exilado, pelo aplicativo Telegram.

Como quase nenhum candidato opositor foi autorizado a concorrer às eleições, os partidários de Navalny criaram uma estratégia chamada de "voto inteligente", destinada a apoiar o candidato – muitas vezes, um comunista – melhor posicionado  para enfrentar o candidato do partido no poder, o Rússia Unida.

O aplicativo permite que os usuários saibam em qual concorrente votar em seu círculo eleitoral. No passado, essa abordagem teve algum sucesso, especialmente em Moscou em 2019. Mas nesta sexta-feira de manhã, jornalistas da AFP constataram que o aplicativo não aparecia mais nas lojas online do Google e da Apple na Rússia. Os gigantes americanos não reagiram imediatamente.

Caça às bruxas

Moscou iniciou uma perseguição consistente a opositores em janeiro, com a detenção de Navalny, preso após voltar à Rússia depois de ter recebido tratamento médico na Alemanha. Ele foi vítima de um envenenamento, do qual o Kremlin é acusado.

Seu movimento, considerado "extremista", foi proibido, e a maioria de seus aliados tiveram de partir para o exílio, foram detidos ou ficaram impossibilitados de se candidatar.

O Comitê de Investigação russo informou na quinta-feira ter aberto um inquérito sobre 11 pessoas, acusadas de incentivar, pelo aplicativo de mensagens Telegram, a realização de "distúrbios em massa" durante as eleições.

Cerca de 108 milhões de russos são convocados a votar para eleger 450 deputados da Câmara baixa do Parlamento.

O Rússia Unida, que controla três quartos do Parlamento em fim de mandato e apoia sem contestar as políticas do Kremlin, obteria, segundo pesquisas, menos de 30% dos votos. O índice reflete a impopularidade crescente do governo, atingido por casos de corrupção e uma diminuição do nível de vida no país.

Putin, no poder há mais de 20 anos, também se envolveu na campanha com o anúncio de uma ajuda financeira excepcional para 42 milhões de aposentados, um eleitorado-chave.

Com informações da AFP

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