Crise dos submarinos “poderia ter sido evitada”, declaram Macron e Biden após conversa telefônica

O presidente norte-americano, Joe Biden, conversou com o líder francês, Emmanuel Macron, após tensões diplomáticas provocadas pela "crise dos submarinos".
O presidente norte-americano, Joe Biden, conversou com o líder francês, Emmanuel Macron, após tensões diplomáticas provocadas pela "crise dos submarinos". REUTERS - WHITE HOUSE

Os presidente da França, Emmanuel Macron, e dos Estados Unidos, Joe Biden, tiveram uma conversa telefônica nesta quarta-feira (22), seis dias após a crise de diplomática desencadeada pelo anúncio de que a Austrália iria romper um compromisso para a compra de submarinos franceses para assinar um contrato com os norte-americanos. Os dois líderes admitiram que o episódio poderia ter sido evitado se os aliados tivessem mantido “consultas abertas” sobre esse tipo de questão “estratégica”. 

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O caso estremeceu as relações entre França, Austrália e Estados Unidos e a conversa entre os líderes francês e norte-americano era um dos momentos mais esperados da semana. Principalmente diante da ausência de Emmanuel Macron na 76ª Assembleia Geral das Nações Unidos, em Nova York, que alimentou ainda mais rumores sobre as tensões diplomáticas entre Paris e Washington. 

Segundo a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, a conversa entre os dois presidentes foi “amigável” e durou cerca de meia hora. Nenhum pedido de desculpas oficial foi divulgado, mas o comunicado publicado após a conversa adotou um tom conciliador. "Consultas abertas entre aliados sobre questões de interesse estratégico para a França e os parceiros europeus poderiam ter evitado esta situação", resumiu o texto disponibilizado simultaneamente pelo Palácio do Eliseu e pela Casa Branca. Ainda de acordo com o documento, o presidente norte-americano demonstrou a Macron “seu compromisso permanente com essa questão”. 

Biden destacou que é "necessário que a defesa europeia seja mais forte e mais eficiente" para contribuir para a segurança transatlântica e para cumprir "o papel da Otan". Os Estados Unidos "reiteram que o compromisso da França e da União Europeia na região Indo-Pacífico é de importância estratégica", aponta o comunicado. 

Os dois chefes de Estados prometeram se reunir na Europa no final de outubro. O objetivo do encontro será “lançar um processo de consulta aprofundada com o objetivo de estabelecer as condições para garantir a confiança”. Os líderes pretendem “propor medidas concretas” para poderem avançar juntos em projetos que tenham objetivos comuns. 

Para completar as declarações de apaziguamento, o embaixador da França no Estados Unidos, Philippe Etienne, que havia voltado para Paris em sinal de desacordo após a ruptura do contrato, retornará a Washington na próxima semana para “trabalhar em relações estreitas com altos funcionários norte-americanos”, segundo informaram as equipes de Macron. 

Guarda-chuva americano 

A crise abriu um debate na França, mas também em outros países da UE, sobre a necessidade de uma maior soberania europeia em termos de defesa para se libertar do guarda-chuva americano. Em Paris alguns políticos insistem em colocar na mesa a questão da participação da França na liderança integrada da organização transatlântica. Mas alguns dos principais aliados dos Estados Unidos no velho continente saíram na defesa de Washington. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou "absolutamente" não entender as críticas feitas aos norte-americano no episódio dos submarinos e defendeu o "muito leal" Joe Biden. 

(Com informações da AFP) 

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