Após oito mortes antes de jogo, Camarões investiga responsabilidade por tragédia em estádio

O presidente da Confederação Africana de Futebol, Patrice Motsepe, exigiu uma investigação rápida para determinar as circunstâncias da tragédia que deixou oito mortos na entrada de um jogo da Copa Africana das Nações.
O presidente da Confederação Africana de Futebol, Patrice Motsepe, exigiu uma investigação rápida para determinar as circunstâncias da tragédia que deixou oito mortos na entrada de um jogo da Copa Africana das Nações. AP - Themba Hadebe

Um dia após oito pessoas morrerem pisoteadas e 38 ficarem feridas na entrada de um jogo da CAN (Copa Africana de Nações), o governo de Camarões e a Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciaram nesta terça-feira (25) a abertura de uma investigação sobre o que aconteceu no estádio de Olembé.

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Com informações de Nicolas Bamba, enviado especial da RFI a Yaoundé

Em uma entrevista coletiva no estádio Ahmado-Ahidjo ainda marcada pela emoção das mortes, o presidente da CAF, Patrice Motsepe, exigiu um relatório rápido que detalhe as circunstâncias da tragédia e aponte as responsabilidades.

Na noite de segunda-feira (24), dezenas de torcedores foram pisoteados após um tumulto na entrada do estádio em que a seleção de Camarões disputou contra Comores a classificação pelas oitavas de final da CAN 2022.

O estádio para 60 mil espectadores estava com capacidade limitada a 50 mil pessoas por conta de restrições da pandemia. Na entrada, os torcedores deveriam passar por três sistemas de controle: o primeiro para verificar o certificado de vacinação ou teste negativo para Covid-19; o segundo para revista de segurança e o terceiro para verificar o bilhete de entrada e o lugar no estádio.

"Os agentes nos pediam para fazer fila, mas houve pessoas que pediram para empurrar", contou o jovem André Djoko em frente ao hospital de Olembé à agência AFP.

O número de seguranças e de funcionários do estádio no local não teria sido suficiente para controlar a situação antes do acidente.

De acordo com testemunhas, um portão que estava fechado represou uma multidão de torcedores. Com a pressão, o portão cedeu e as pessoas que caíram no chão foram pisoteadas pela multidão que tentava entrar na arena.

"Houve claramente falhas, erros e fraquezas", disse Motsepe. "Esta porta deveria estar aberta. Se estivesse aberta, teria permitido a entrada dos espectadores. E estava fechada! Por alguma razão inexplicável! Se aquela porta estivesse aberta como deveria estar, não teríamos os problemas que temos agora, todas aquelas vidas perdidas! (...) Quem fechou aquela porta, quem é o responsável?”, questionou Motsepe, emocionado e com a voz embargada.

A tragédia causou oito mortes, incluindo a de uma criança e duas mulheres, e 38 feridos, sete deles graves, segundo o ministro da Comunicação, René Emmanuel Sadi.

Evitar novos incidentes

A CAF organizou uma reunião de crise com o Comitê de Organização local (CoCan) nesta terça-feira para discutir a segurança dos jogos finais da Copa Africana de Nações, realizada em cinco cidades de Camarões.

"Junto com a CAF e o governo, vamos encontrar as medidas ideais para melhorar as coisas e garantir que tudo corra bem, mas a perfeição não pode ser garantida. Nenhum país pode", disse o porta-voz da CoCan Abel Mbengue, se referindo a "dramas semelhantes na França, na Espanha, na Inglaterra...".

O jogo das quartas de final que estava marcado para o próximo domingo (30) no estádio de Olembé foi transferido para um outro estádio na mesma cidade, o Ahmadou Ahidjo. A partida será disputada na terça-feira (1°).

A principal competição do futebol africano deve terminar no dia 6 de fevereiro.

(Com informações da AFP)

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