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Temendo manobras russas, Suécia deixa de ser um país neutro e volta a se militarizar

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A revista francesa Le Point destaque a militarização da Suécia.
A revista francesa Le Point destaque a militarização da Suécia. © Reprodução / Le Point

A revista francesa Le Point desta semana traz uma reportagem sobre a mudança recente da estratégia militar da Suécia. O país escandinavo, que durante anos se posicionou como neutro e praticamente suprimiu suas Forças Armadas, voltou a investir na área da Defesa. Segundo o texto, a posição de Estocolmo mudou diante da agressividade de Moscou.

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A reportagem explica que desde o início dos anos 2000 a Suécia vinha diminuindo sua ação militar. O país suprimiu o serviço militar obrigatório e fechou algumas bases importantes, como a da ilha de Gotland, que vigiava a Rússia desde 1811. No entanto, desde que Moscou invadiu a Crimeia, em 2014, Estocolmo constatou que o vizinho, separado de seu território apenas pela Finlândia, podia representar um perigo.

O ministro sueco da Defesa, Peter Hultqvist, afirma que a Rússia não é um inimigo. “Porém, o regime autoritário atual nos preocupa. Ele militariza suas bases na Báltico, desestabiliza Belarus e a Ucrânia, e se ativa na Síria. Não podemos fazer como se nada estivesse acontecendo e fechar os olhos”, explica.  

Segundo Robert Dalsjö, especialista sueco ouvido pela revista francesa, Estocolmo não teme uma invasão russa, pois o Suécia é membro da União Europeia, o que lhe dá uma certa segurança. No entanto, “ao contrário da China, que tem armas econômicas, tecnológicas e culturais, a Rússia tem apenas seu potencial militar para provar que ainda é poderosa. Para o nosso azar, ela é nossa vizinha. E, para completar, os homens que dirigem esse país são ex-agentes secretos e militares que querem mostrar a grandeza da nação. Eles nos veem como os mais fracos na região”, resume.

Carro na Gay Pride e exercícios contra " inimigo do leste"

Diante dessa situação, Estocolmo vem mudando sua postura. “O serviço militar foi reestabelecido e, mesmo sendo realizado de forma voluntária, deve levar o país a constituir um exército de 100 mil homens em alguns anos”, aponta a revista.

Para convencer os jovens a se alistar, o Estado implementou incentivos financeiros para os novos recrutas e o chefe do Estado-Maior participa de vários programas de televisão, popularizando a instituição. Para mostrar sua abertura, “as Forças Armadas têm um carro da Gay Pride de Estocolmo e valorizam sua vontade de igualdade entre homens e mulheres em suas trupes”, relata Le Point. “Durante a crise sanitária, o rei fez várias aparições vestindo um uniforme de general”, continua a revista.

Mas há também ações concretas. O orçamento militar do país deve registrar, até 2025, um aumento acumulado de 85% e a Suécia pretende comprar em breve jatos de combate e submarinos. Estocolmo assinou acordos de cooperação militar com as vizinhas Noruega e Finlândia, que também reforçaram sua estratégia de defesa nos últimos anos.

Além disso, as ações bélicas se multiplicam, como o envio de 150 soldados para ajudar as forças francesas no Mali, ou ainda exercícios militares simulando um possível ataque a Estocolmo. Um desses exercícios chegou a ser batizado de ofensiva “vinda de um inimigo fictício do leste”, conta a revista francesa Le Point.

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