Pretendentes da direita à eleição presidencial francesa podem complicar reeleição de Macron

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Capa da revista semanal Le Point com o duelo entre os candidatos da direita à eleição presidencial de 2022 na França.
Capa da revista semanal Le Point com o duelo entre os candidatos da direita à eleição presidencial de 2022 na França. © DR

As eleições presidenciais na França estão marcadas para 10 e 24 de abril de 2022 e serão seguidas por eleições legislativas também em dois turnos, em 12 e 19 de junho. A revista Le Point dedica sua reportagem de capa esta semana aos pretendentes da direita ao Palácio do Eliseu, que ainda não definiram o titular mas poderão complicar os planos de reeleição do presidente Emmanuel Macron.

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A adversária preferida de Macron é a líder da extrema direita, Marine Le Pen, já derrotada por ele na eleição passada. Ela continua aparecendo no segundo turno nas pesquisas, em todos os cenários. Mas nas últimas semanas, surgiu uma dinâmica inesperada no partido da direita tradicional Os Republicanos, com cinco pretendentes à faixa presidencial.

A sigla saiu vitoriosa das regionais de junho. Macron já antecipa o perigo representado por dois deles: o ex-ministro Xavier Bertrand, atual presidente da região Hauts-de-France, e sobretudo Valérie Pécresse, presidente da região Ile-de-France.

Bertrand e Pécresse poderiam formar uma dobradinha no estilo americano, um visando o Palácio do Eliseu e o outro a chefia de governo como primeiro-ministro. Seria uma chapa forte, capaz de provocar migração de eleitores que votaram no centrista. 

Macron poderia se ver diante de dois pesadelos. No cenário mais humilhante, ele seria eliminado no primeiro turno por um candidato da direita, que enfrentaria Marine Le Pen no segundo turno. A segunda configuração arriscada seria enfrentar em vez de Marine Le Pen, outra mulher, Valérie Pécresse, no segundo turno. 

Hidra de duas cabeças

Bertrand e Pécresse estão crescendo nas pesquisas, mas o partido ainda não definiu se fará primárias para desempatar os cinco concorrentes. Segundo a Le Point, Macron se vê diante de uma "hidra de duas cabeças", e Pécresse seria a adversária mais perigosa. Um observador diz à revista que “Pécresse e Macron têm a mesma linha política”. Outro, em um comentário machista intolerável, afirmou que “Pécresse é Macron de saia!".

Entre os macronistas, todos têm certeza que a pandemia de Covid-19 vai definir a eleição. Macron ainda terá de atravessar o outono-inverno europeu acumulando escolhas acertadas se quiser ser reeleito. 

À esquerda do espectro político, socialistas, verdes e comunistas não decolam nas sondagens. A socialista Anne Hidalgo, prefeita de Paris, deverá oficializar sua candidatura em breve ao Palácio do Eliseu, desta vez sem primárias, após uma experiência desastrosa na eleição de 2017.

O Partido Socialista já definiu unido que Hidalgo será a representante da legenda nas presidenciais. Porém, sem uma ampla aliança com os comunistas, que já lançaram candidato próprio, e os ecologistas, que tendem a fazer o mesmo, será difícil fazer sombra aos candidatos da direita e a Emmanuel Macron.

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