BRASIL-MUNDO

Quando “xocolate” é forró e não o doce famoso da Suíça

Áudio 06:34
Criado há seis anos, o grupo Xocolate se apresenta em Lausanne e região.
Criado há seis anos, o grupo Xocolate se apresenta em Lausanne e região. © Divulgação

Leva o nome de chocolate e está na Suíça, mas não tem nada a ver com o famoso doce pelo qual o país é conhecido mundo afora. O “Xocolate” – neste caso, com “xis” – é um grupo de forró de Lausanne, formado por quatro apaixonados por música.  

Publicidade

Valéria Maniero, de Lausanne para a RFI

Nenhum deles é músico profissional; todos trabalham em outras áreas. E, por incrível que pareça, o grupo só tem um integrante brasileiro. 

"Minha esposa, Charline, é suíça e gosta muito de dançar, sempre foi muito envolvida com cultura, e conheceu o forró no Brasil, em 2011. Quando ela voltou à Suíça, já tinham eventos na Europa, mas em Lausanne, na cidade onde a gente mora, não", explica Jesaias Guélat, de Goiás, que mora há dez anos no país europeu. "A gente queria mostrar a cultura brasileira, o forró, pouco conhecido aqui. Foi assim que nasceu”, conta ele.

“Cada um de nós tem um trabalho à parte: eu sou encanador industrial; o Geraldo e a Aimme trabalham com marketing; o Olivier é engenheiro hidráulico. Mas a nossa paixão é a música", indica. 

Jesaias toca violão, enquanto Aimee, suíça-italiana, se encarrega da zabumba. Olivier tem quatro nacionalidades e é saxofonista, e Geraldo, suíço, é o sanfoneiro da banda. "A gente tem um ponto muito em comum que é o amor pelo Brasil, por essa cultura enorme. E é isso que faz esse projeto andar para a frente.”

A formação original do grupo.
A formação original do grupo. © Divulgação

“Forró com um temperinho a mais”

Para o goiano, o forró representa uma oportunidade de mostrar o "lado caloroso" do Brasil para os suíços. O grupo se apresenta pela região de Lausanne, como no evento “La Coquette”, em Morges, e marca presença anual na tradicional Festa da Música, celebrada 21 de junho. "Mesmo aqueles que não sabem dançar,  dançam, ficam interessados. Isso traz uma riqueza enorme pra gente”, comemora.

O interesse crescente dos suíços levou o Xocolate a também ensinar a dança brasileira. “O nosso objetivo maior nesse projeto é transmitir alegria e paz de espírito. Hoje em dia, temos vários membros, alunos superdedicados, que nos acompanham desde o começo do projeto. É muito gratificante”, constata o goiano. 

Com o tempo, o ritmo brasileiro foi se misturando a outros e as músicas passaram a ser cantadas não só em português. “A gente fazia muita reprise, pegava músicas de cantores como Alceu Valença, Dominguinhos, Luiz Gonzaga, e fazia os nossos concertos com isso”, relata. Depois, a banda decidiu “guardar essa origem do forró tradicional e colocar um temperinho a mais”.

O grupo com a formação original. O amor pela música e pelo Brasil une todos eles.
O grupo com a formação original. O amor pela música e pelo Brasil une todos eles. © Divulgação

“Veio a ideia de fazer o forró fusion, com a mistura com as músicas tradicionais. A gente canta músicas em inglês, em francês, em português – aquele forró arroxado –, e também desenvolve esse projeto de autorias do grupo", indica Jesaias, acrescentando que o Xocolate já tem três músicas prontas para gravar.

O grupo Xocolate é formado por Aimme Challande (zabumba), Geraldo Rochat (sanfona), Jesaias Guélat (violão) e Olivier Mariette (sax).
O grupo Xocolate é formado por Aimme Challande (zabumba), Geraldo Rochat (sanfona), Jesaias Guélat (violão) e Olivier Mariette (sax). © Divulgação

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.