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Músico brasileiro canta a ancestralidade num mix de ritmos brasileiros nos EUA

Áudio 05:23
Douglas Felipe, como tecladista do Olodum fez apresentações em mais de 80 países e participou de parcerias com cantores como Michael Jackson, Ziggy Marley, Inner Circle, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Daniela Mercury, Ivete Sangalo dentre tantos outros.
Douglas Felipe, como tecladista do Olodum fez apresentações em mais de 80 países e participou de parcerias com cantores como Michael Jackson, Ziggy Marley, Inner Circle, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Daniela Mercury, Ivete Sangalo dentre tantos outros. © Arquivo pessoal

Douglas Felipe nasceu dentro de uma escola de samba. Durante quase uma década percorreu palcos pelo mundo como tecladista do Olodum. Mas, só agora, depois de 30 anos na estrada com grandes artistas, resolveu soltar a voz e lançar dezenas de músicas, que como ele mesmo diz, recebe de presente em seus sonhos. Só neste ano, o músico, que mora desde 2001 em Los Angeles, já lançou três álbuns (AFRO, Soul da Pele e Diante da Seca), e mais quatro ficaram prontos até dezembro.

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Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

"Os artistas antes faziam sempre um álbum por ano. Eu cheguei até aqui e não sei se vou estar aqui amanhã. Então, eu estou forçando tudo para dar vida às coisas que estão aí esperando", conta. Todas as produções de Douglas Felipe contam com tempero brasileiro em um mix cultural de forró, afoxé, axé, xaxado, baião, afro beat, samba, reggae e tudo mais que vem à mente do multi-instrumentista, arranjador e compositor.

Douglas resolveu abrir a gaveta e lançar tudo que tinha pendente. São mais de 50 músicas, algumas instrumentais, que destacam as raízes afro-brasileiras, a essência de sua ancestralidade, falam de saudades, lembranças e trazem mensagens que vão do amor ao protesto. Todos os álbuns são autorais e estão sendo lançados de forma independente nas plataformas de música on-line.

"Ficou mais fácil porque antes você tinha que esperar a gravadora fazer para você, tinha que ter essa aprovação. Daí eles lançam o primeiro disco, vão ver como vende. Como você pode privar a vida de alguém assim? Hoje, a gente vê um número muito maior de compositores, artistas se manifestando", fala o músico.

A estrada

Douglas conversou com a RFI em uma entrevista recheada de histórias, poesia, batuques e música à capela. Natural de Belo Horizonte, conta que nasceu dentro da escola de samba, Inconfidência Mineira, fundada em 1950 pelo próprio tio, conhecido como Mestre Conga.

Mas, a capital mineira ficou pequena para a percussão que sempre ouviu na cabeça e o destino o levou ao Olodum, numa das décadas de maior auge do grupo, nos anos de 1990. Como tecladista do Olodum, ele fez apresentações em mais de 80 países e participou de parcerias com cantores como Michael Jackson, Ziggy Marley, Inner Circle, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Daniela Mercury, Ivete Sangalo dentre tantos outros.

Douglas não se considera um cantor, se coloca como servidor "porque tenho que interpretar a mensagem que recebi e mandar. Meu bisavô foi escravo, meu avô sanfoneiro, meu pai tinha um grupo de samba, meu tio é compositor, fundador da escola de samba de Belo Horizonte, e eu só estou dando continuidade a essa história"
Douglas não se considera um cantor, se coloca como servidor "porque tenho que interpretar a mensagem que recebi e mandar. Meu bisavô foi escravo, meu avô sanfoneiro, meu pai tinha um grupo de samba, meu tio é compositor, fundador da escola de samba de Belo Horizonte, e eu só estou dando continuidade a essa história" © Arquivo pessoal

Em 1999, fez a turnê “Omelete Man”, como tecladista da banda de Carlinhos Brown e é parceiro do cantor baiano, na música “Vai Rolar”, do disco “Bahia no Mundo – Mito e Verdade, de 2001. Uma paixão o trouxe a Los Angeles no mesmo ano, onde se formou como engenheiro de som e trabalhou com artistas como Bom Shaka e Pato Banton.

Sintonia dos sonhos

Diante da conversa cadenciada com batuques e ritmos que imperam na mente do músico, Douglas revela que as letras das músicas sempre foram entregues a ele através dos sonhos. Nas noites de sono, já teve Tim Maia cantando para ele, Nana Caymmi, Marisa Monte, Caetano Veloso.

"Quando eu comecei a entender como as coisas acontecem, que você acordou e falou "uau" isso aconteceu? De onde veio? Comecei a dormir com o gravador ou o celular do lado para quando acordar apertar o botão, gravar logo e não perder a ideia. Mas levou um tempo e até ter consciência, muita coisa se perdeu", revela o compositor.

O mineiro não se considera um cantor, se coloca como servidor "porque tenho que interpretar a mensagem que recebi e mandar. Meu bisavô foi escravo, meu avô sanfoneiro, meu pai tinha um grupo de samba, meu tio é compositor, fundador da escola de samba de Belo Horizonte, e eu só estou dando continuidade a essa história".

Uma paixão o trouxe a Los Angeles no mesmo ano, onde se formou como engenheiro de som e trabalhou com artistas como Bom Shaka e Pato Banton.
Uma paixão o trouxe a Los Angeles no mesmo ano, onde se formou como engenheiro de som e trabalhou com artistas como Bom Shaka e Pato Banton. © Arquivo pessoal

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