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Esportes

Seletivas para breaking das Olimpíadas de Paris podem começar em 2022

Áudio 06:14
Proposta validada pelo Comitê Olímpico Internacional. Paris-2024 para a inclusão do break dance.
Proposta validada pelo Comitê Olímpico Internacional. Paris-2024 para a inclusão do break dance. AP - Jens Meyer
Por: Elcio Ramalho
11 min

Desde o anúncio do breakdance como modalidade olimpíada nos Jogos de Paris 2024, no último dia 7 de dezembro, as entidades representantes da dança começaram a articulação para definir regras e o calendário para as seletivas, que podem começar a partir de 2022.

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No Brasil, um dos primeiros desafios será promover um alinhamento entre os grupos de breaking, nome oficial do breakdance, e o Conselho Nacional de Dança Desportiva e de Salão (CNDDS), que será o responsável pelo processo de treinamento adaptação de atletas e juízes aos critérios oficiais, a serem definidos pela Federação Internacional de Dança Desportiva (WDSF, na sigla em inglês), em parceria com o COI.  

O breaking, que surgiu da cultura hip hop nos Estados Unidos nos anos 1980, conquistou de vez o Comitê Olímpico Internacional (COI) há cerca de dois anos, nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018, em Buenos Aires. O sucesso da competição no evento seduziu o COI, que encarregou a WDSF de formalizar e estruturar a dança como uma modalidade olímpica.  As filiadas nacionais dessa entidade participarão do processo que envolve a elaboração de um calendário de competições, preparação de árbitros e adaptação de atletas aos novos critérios de pontuação.

No caso brasileiro, caberá ao Conselho Nacional de Dança Desportiva e de Salão (CNDDS) participar do processo. Seu presidente, Wiliam Miyashiro, confessa que a falta de experiência da entidade com o breaking foi motivo de preocupação e desconfiança.  

“Houve questionamento porque não tínhamos breaking na nossa programação. Teoricamente e também na prática não temos o conhecimento de como trabalhar com a competição de breaking.  Mas quem colocou o breaking nas Olimpíadas foi a Federação Internacional e seus dirigentes têm uma equipe capacitada, com representantes de breaking reconhecidos a nível mundial”, afirma.

Segundo o representante brasileiro, a WDSF informou que vai definir as regras, os formatos de competição e os critérios de seleção e todas as federações associadas terão de se ajustar, com vistas às Olimpíadas de 2024.    

Wiliam prevê algumas dificuldades em adaptar as novas regras ao Brasil, que tem competições de formatos diferentes. “Estamos sendo orientados pela federação a fazer o mais próximo possível, senão igual. Aqui no Brasil, um país imenso e com muitas desigualdades, talvez em alguns lugares e a gente não consiga.  Mas a ideia é nos adaptarmos e fazer o que está sendo feito em outros países”, diz.

Um exemplo dessas mudanças diz respeito ao número de juízes. No Brasil, normalmente um árbitro julga a competição entre dois B.boys ou B.girls. A Federação Internacional preconiza pelo menos dois árbitros e usando critérios técnicos definidos pela entidade. “O árbitro tem de saber e justificar o valor de cada nota que está dando”, argumenta.

Alinhamento com o COI

O Brasil, segundo Miyashiro, faz parte de uma lista longa de países que vão precisar contar com a estrutura e orientação da internacional para conseguir se alinhar com as diretrizes do movimento olímpico.

“Vamos escolher pessoal da área, que já são treinadores ou já competiram, para passar pelos treinamentos e garantir a homogeneização do pensamento e alinhar os critérios como a pontuação para cada item e cada técnica”, explica. “A ideia é depois passar para os treinadores que vão orientar os atletas e passar as informações para que eles possam melhorar. Será um trabalho em conjunto”, afirma.

Durante esta semana, um encontro virtual já deu indicações de que o processo de seletivas para os Jogos de Paris pode começar dentro de, no máximo, dois anos.

“As competições ainda vão ser elaboradas, provavelmente com um circuito e competições em vários países. Os participantes vão competir nesses eventos, somar os pontos e daí pode sair algum ranking. Mas isso ainda deve ser tomado com cuidado. A Federação Internacional ainda está recebendo orientações do Comitê Olímpico. Pode acontecer de daqui a dois anos, tudo mudar. A princípio, em 2021, a gente vai estar apenas se organizando”, explica.

Caso seja repetida a mesma fórmula usada nas Olimpíadas de Buenos Aires, a competição de breaking em Paris poderá ter a participações de representantes de 32 países. O Brasil pode ter a ambição de conquistar medalhas: “Estamos muito animados. O Brasil tem até campeão mundial de breaking. A gente tem bastante expectativa de conseguir um bom resultado. Claro, tudo vai depender de um alinhamento do trabalho do Conselho Nacional com o pessoal do breaking. O campeão pode vir de qualquer lugar, do Amapá, do Rio Grande do Sul, de Brasília, ou aqui do lado, em São Paulo. Se conseguirmos uma medalha vai ser importante não apenas para o atleta, mas para o país inteiro”, defende.

Wiliam Miyashiro diz que de maneira mais ampla, os participantes de grupos de dança veem no breaking um trampolim para outras danças também terem ambições.  

“A comunidade geral da dança espera que o breaking faça bastante sucesso e que futuramente outras danças possam entrar na grade olímpica”, ressalta.

 

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