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Linha Direta

Covid-19: Londres e outras regiões do Reino Unido entram em nível máximo de risco de contaminação

Áudio 05:21
Pessoas passeiam na Carnaby Street, em Londres, em 15 dezembro de 2020.
Pessoas passeiam na Carnaby Street, em Londres, em 15 dezembro de 2020. AP - Matt Dunham
Por: Vivian Oswald
11 min

A partir desta quarta-feira (16), Londres e algumas regiões vizinhas estarão submetidas às restrições mais duras previstas até agora pelo governo britânico. No escalonamento dividido de acordo com o risco de contaminação, estas áreas passam para o nível 3, considerado o mais alto. Com isso, mais da metade da população do Reino Unido volta a viver sob a imposição de limitações.

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Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

Primeiro país a aplicar o imunizante da Pfizer/BioNtech contra a Covid-19, o Reino Unido já vacinou dezenas de milhares de pessoas na última semana, nesta que é a maior campanha de vacinação de sua história. Apesar dos esforços, o país ainda está muito longe de resolver o problema. O Reino Unido também é a nação com o maior número de mortos pela doença na Europa. São quase 65 mil óbitos. Desde o dia 2 de dezembro, quando terminou o período do segundo lockdown, as pessoas voltaram às ruas, por incentivo do próprio governo. Às vésperas do Natal, o comércio está aberto, assim como bares, pubs e restaurantes. Foi um respiro concedido pela equipe do primeiro-ministro, Boris Johnson, à economia, logo depois que o número de casos começou a ceder. Mas o movimento era muito grande.

Já no primeiro final de semana após o lockdown, as aglomerações no centro da capital britânica e de outras cidades pelo país eram enormes. Sem a obrigatoriedade, muitos não usavam máscaras e a concentração de pessoas era imensa. Nos últimos dias, as autoridades reforçaram o policiamento nas ruas para garantir que as regras de distanciamento e de proteção sejam seguidas.

Em outras três regiões da Escócia, restrições mais duras serão impostas a partir desta sexta-feira (18). O país dividiu o escalonamento em cinco níveis de risco.

Todo esse cenário pode acabar mudando as regras previstas para o Natal. A ideia inicial era de oferecer um alívio entre os dias 23 e 27 de dezembro para que as pessoas comemorassem com um pouco mais de normalidade a data que é uma verdadeira obsessão no país. A princípio, as famílias poderão se reunir, mas o governo pede o uso de máscaras e que os contatos físicos sejam evitados. No entanto, diante do aumento do número de casos diários de contaminação, o governo tem pedido às pessoas que sejam razoáveis e que evitem reuniões desnecessárias e exageros, o que talvez já não seja mais suficiente. Cientistas aumentam a pressão sobre a equipe de Johnson, alertando que o relaxamento das medidas de segurança sanitária deve piorar ainda mais a situação, e pedem que o governo reconsidere a flexibilização das regras.

Natal incerto

Representantes dos governos da Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte participam de uma segunda rodada de reuniões nesta quarta-feira para decidirem os próximos passos e o que muda para o período do Natal. Depois de negar essas mudanças inicialmente, o governo de Johnson avisou que as regras estão sob constante revisão. Ou seja, à essa altura, já não se sabe se as celebrações de Natal estão garantidas.

A situação é crítica para o comércio. Nesta terça-feira (15) foi anunciado um novo aumento do índice de desemprego no país, que voltou a bater novo recorde: 4,9%.

A chegada da vacina, que começou a ser aplicada no último dia 8 em todo o país, foi muito comemorada, mas a campanha ainda vai levar um tempo até que um percentual relevante da população seja vacinado. Uma volta à “vida normal” é prevista para o segundo semestre do ano que vem, se tudo correr como esperado.

Estudos britânicos apontam para a existência de uma nova cepa do coronavírus no sudeste da Inglaterra, que poderia ser ainda mais transmissível, mas ainda não há evidências que confirmem a suspeita, nem que os sintomas seriam mais graves. As autoridades afirmam que, por enquanto, não há razão para alarde. À princípio, a vacina que está sendo oferecida à população atenderia também a essa mutação do vírus.

A aposta do Reino Unido

O Reino Unido continua apostando na vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, em parceria com o laboratório AstraZeneka. A vacina é produzida no próprio país e é mais fácil de ser manipulada do que a da Pfizer/BioNtech, que precisa ser mantida a menos de 70 graus negativos. Das 355 milhões de doses de vacinas que o governo já encomendou, entre todas as que estão sendo testadas nesse momento, 100 milhões são as de Oxford.

Na última semana, o AstraZeneka, laboratório que trabalha em parceria com a Universidade de Oxford neste imunizante, anunciou que faria pesquisas conjuntas com o Instituto Gamaleya, na Rússia, que desenvolve a vacina Sputnik V, para avaliar se a aplicação combinada das duas vacinas, ou seja, aplicar uma dose de cada, poderia ser mais eficaz do que usar duas doses do mesmo imunizante. Os testes clínicos serão conduzidos na Rússia e em adultos com mais de 18 anos.

 

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