Linha Direta

Covid-19: Com vacinação acelerada, Reino Unido discute retomada de grandes eventos e turismo

Áudio 04:04
Passageira chega ao aeroporto de Heathrow, em Londres (22/05/2020).
Passageira chega ao aeroporto de Heathrow, em Londres (22/05/2020). Tolga Akmen AFP/Archivos

Em ritmo acelerado de vacinação, o Reino Unido já discute a retomada de grandes eventos, como jogos de futebol e concertos. E, finalmente, anuncia as regras para as tão sonhadas férias de verão. Entre o medo de novas contaminações e o desejo de retomar a liberdade de ir e vir, o país testa alternativas para reabrir as atividades econômicas com segurança. Ainda não vai ser como antes, mas a sensação geral é de grande alívio.

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Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

O governo prepara o projeto-piloto para um sistema de certificação para identificar quem está imune à Covid. A ideia seria usá-la em jogos de futebol, boates, concertos e cinemas. Assim, não será necessário impor aos participantes o distanciamento social. No fundo, seria uma espécie de passaporte temporário da Covid.

Mas o governo tem evitado usar a expressão pela rejeição que enfrenta dentro da classe política e da própria sociedade. Críticos avaliam que a criação de um documento como esse poderia gerar discriminação para aqueles que ainda não tomaram a vacina ou que não possam se imunizar. Alguns parlamentares já se manifestaram contra a ideia. No entanto, as autoridades estão cada vez mais convencidas de que só assim poderão retomar as atividades que implicam aglomeração.

Sistema de cores para férias

Nesta segunda-feira, o governo vai finalmente anunciar as regras para quem quiser ir de férias para o exterior a partir do próximo dia 17 de maio. Até lá, viagens não essenciais estão proibidas. Está sendo criado um sistema que divide os destinos em três cores, como um sinal de trânsito: vermelho, amarelo e verde.

Em princípio, não haverá grandes restrições para quem viajar para os países incluídos na lista verde. Já os da lista amarela vão implicar uma quarentena de 10 dias em local de sua preferência na volta. A lista vermelha já existia. E o Brasil está nela com outras 33 nações. Todos os passageiros chegados desses países devem fazer quarentena obrigatória de 12 dias em hotéis designados pelo governo britânico.

Não está descartado incluir a França nessa relação, dado o aumento do número de contaminações e mortes no país do outro lado do Canal da Mancha.

Desde a semana passada, grupos de até seis pessoas já podem se encontrar do lado de fora de casa. Só isso já foi motivo de grande entusiasmo. Os parques ficaram lotados em Londres. Foram tantos piqueniques que as autoridades denunciaram grandes quantidades de lixo deixadas para trás. Esta semana idosos em casas de repouso podem receber até duas visitas. A grande expectativa, contudo, gira em torno do próximo dia 12 de abril, quando bares e restaurantes com espaços abertos poderão receber os primeiros clientes, do lado de fora, depois de meses fechados. Salões de cabeleireiros também reabrem nesta data.

Número de contaminações e mortes em baixa

Sob lockdown há três meses, depois de vacinar 31,5 milhões de pessoas com a primeira dose e quase cinco milhões com as duas, o Reino Unido comemora a queda expressiva do número de casos e mortes por Covid-19. Foram pouco mais de duas mil novas contaminações e 10 óbitos nas últimas 24 horas. As internações, que chegaram a bater 36 mil no auge da segunda onda, no início do ano, caíram para três mil, e seguem em queda diária.

As notícias não poderiam ser melhores. Mas nada disso vai conter a abertura de um inquérito que está sendo preparado para avaliar a resposta da equipe do primeiro-ministro, Boris Johnson, à pandemia. O Reino Unido é o país mais atingido pela Covid-19 na Europa em número de mortes.

 

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